Cidade do Vaticano, 16 jun (RV) - Abrindo ontem o Congresso Diocesano na Basílica de São João de Latrão, Bento XVI pediu aos cristãos que participem das missas dominicais, “momentos fundamentais do encontro entre o homem e Deus”.
“Para nós cristãos, é muito importante encontrarmo-nos com o Renascido aos domingos” - destacou o Pontífice, que ainda recordou que “o compromisso apostólico é reduzido com o ativismo estéril”.
Ao se referir ao tema do Congresso Diocesano deste ano, “Seus olhos se abriram, reconheceram-no e anunciaram-no. A Eucaristia dominical e o testemunho da caridade”, Bento XVI explorou a questão das necessidades e pobrezas de tantos homens e mulheres, pedindo:
“Em um tempo como o atual, de crise econômica e social, devemos ser solidários com todos os que vivem na indigência” – apontou. Para o Papa, a caridade é capaz de gerar uma mudança autêntica e permanente na sociedade, agindo nos corações e nas mentes dos homens. “Assim sendo – completou – o testemunho da caridade pelo discípulo de Jesus não é um sentimento passageiro, mas ao contrário, plasma a vida, em qualquer circunstância”. O Pontífice fez também um convite aos jovens da Diocese de Roma a não terem medo de escolher o amor como a regra suprema da vida, seja no sacerdócio como ao formar famílias cristãs que vivem o amor fiel, indissolúvel e aberto à vida.
Ao chegar à Basílica, Bento XVI foi confortado pelo Cardeal-vigário de Roma, Dom Agostino Vallini, pelo sofrimento dos últimos meses, em que a Igreja foi abalada com a revelação de casos de abusos envolvendo padres e sacerdotes.
“Desejamos lhe manifestar, mais uma vez, o afeto e a proximidade pelo sofrimento destes últimos meses, e juntos expressar a gratidão mais sincera por seu testemunho humilde e forte”.
Fonte Rádio Vaticana
Nota: O domingo já foi apontado por BXVI como solução para a família, para a crise ecológica, agora é também solução para os problemas sociais do mundo. Pois bem, o que ainda está faltando para preparar-nos para nos encontrar com o Senhor?
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16 junho 2010
07 junho 2010
Eucaristia, elemento unificador da Igreja, afirma Papa (Onde lê-se "Eucaristia", faça a mudança Domingo)
Celebra Missa no Palácio de Esportes Eleftheria de Nicósia
Por Roberta Sciamplicotti
NICÓSIA, domingo, 6 de junho de 2010 (ZENIT.org). - Celebrando nesta manhã de domingo a Missa no Palácio de Esportes Eleftheria de Nicósia, capital de Chipre, Bento XVI destacou a importância da Eucaristia, lembrando que aqueles que "se nutrem do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia são reunidos pelo Espírito Santo num só corpo para formar o único povo santo de Deus".
A celebração foi realizada na ocasião da publicação do Instrumentum Laboris da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que se realizará em Roma entre os dias 10 e 24 de outubro.
Participaram da Missa os patriarcas e bispos católicos do Oriente Médio, com representantes das respectivas comunidades. Estava também presente Sua Beatitude Crisóstomos II, arcebispo de Nova Justiniana e de todo Chipre, figura de grande relevância no âmbito do diálogo ecumênico.
O Palácio do Esporte, com capacidade para 7 mil espectadores, estava lotado. Muitos fiéis acompanharam a celebração do lado de fora, onde foram disponibilizadas cadeiras para todos os que não puderam entrar no ginásio.
O Papa se disse "feliz por esta oportunidade de celebrar a Eucaristia junto a tamanho número de fiéis de Chipre, uma terra abençoada pelo trabalho apostólico de São Paulo e São Barnabé", e saudou todos os presentes "com grande afeto", agradecendo "pela hospitalidade e pela generosa acolhida" a ele oferecidas.
Particularmente, dirigiu uma saudação especial às comunidades de imigrantes presentes em Chipre, pedindo em oração para que sua presença "possa enriquecer a atividade e o culto das paróquias", enquanto possam também encontrar "apoio espiritual da antiga herança cristã da terra" que escolheram como casa.
Lembrando que a Igreja celebra neste domingo a solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, o Papa observou que o nome dado à celebração no Ocidente, Corpus Christi, é usado na tradição da Igreja para indicar "três realidades distintas": "o corpo físico de Jesus, nascido da Virgem Maria, seu corpo eucarístico, o pão do céu que nos nutre neste grande sacramento, e seu corpo eclesial, a Igreja".
Refletindo sobre estes diferentes aspectos, indicou, "chegamos a uma compreensão mais profunda do mistério da comunhão que liga todos aqueles que pertencem à Igreja": "Todos aqueles que se nutrem do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia são reunidos pelo Espírito Santo num só corpo para formar o único povo santo de Deus".
"Assim como o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos no cenáculo em Jerusalém, o mesmo Espírito Santo opera em toda celebração da Missa por um duplo escopo: santificar as oferendas do pão e do vinho, para que se tornem o corpo e o sangue de Cristo, e alimentar aqueles que são nutridos por estas santas oferendas, para que possam se tornar um só corpo e um só espírito em Cristo", prosseguiu o Pontífice.
Citando uma alegoria de Santo Agostinho, que "nos lembra que o pão não é preparado a partir de um, mas sim de numerosos grãos", lembrou que "cada um dos que pertencem à Igreja tem necessidade de sair do mundo fechado de sua própria individualidade e aceitar a companhia daqueles que partilham do pão com ele".
"Derrubar as barreiras entre nós e nossos vizinhos é a primeira condição para adentrar na vida divina à qual somos chamados."
Assim, do mesmo modo que nas antigas comunidades cristãs, somos chamados a "superar nossas diferenças, a levar a paz e a reconciliação onde houver conflitos, a oferecer ao mundo uma mensagem de esperança. Somos chamados a estender nossa atenção aos necessitados, dividindo generosamente nossos bens terrenos com aqueles menos afortunados do que nós. E somos chamados a proclamar incessantemente a morte e ressurreição do Senhor, até que Ele venha".
Em sua saudação ao Papa antes da celebração, o arcebispo maronita de Chipre, Youssef Soueif, agradeceu calorosamente por "sua missão de amor", desempenhada "em nível internacional".
Após a homilia de Bento XVI, tomou também a palavra o arcebispo Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, que lembrou a importância da reunião de outubro, ocasião em que rezará pela promoção de "um novo dinamismo pastoral" nas Igrejas do Oriente Médio, como também para que estas Igrejas possam estar "cada vez mais empenhadas na evangelização e na promoção humana", em colaboração com as outras duas grandes religiões monoteístas, o judaísmo e o islamismo.
Fonte Zenit
Nota: A Celebração da Eucaristia, realizada aos domingos pela Igreja Católica, é um ato que eles se reportam ao "partir do pão" realizado por Paulo em Atos 20:7, esse evento foi realizado no primeiro dia da semana. Dessa forma, os defensores do domingo, com base nesse texto, concluem que os primeiros cristãos já realizavam a Santa Ceia no domingo, sendo, assim, um dia santificado pelos apóstolos desde o início da igreja cristã. Entretanto, uma análise mais profunda do texto aponta para outra interpretação mais cabível. Leiamos o verso completo: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite.” Atos 20:7. Vamos analisar alguns pontos interessantes:
1. “partir o pão” – Seria a realização da Santa Ceia ou um simples costume entre os primeiros cristãos? A Santa Ceia, instituída por Cristo (Mateus 26) e confirmada por Paulo (I Coríntios 11), não é realizada somente com “partir o pão”, são dois os elementos principais, o pão e o vinho, de acordo com os textos citados (Mateus 26 e I Coríntios 11). Conclui-se então que, a omissão do vinho nesse evento, elemento essencial na Santa Ceia, “partir o pão” no texto significa a realização de um costume que existia entre os primeiros cristãos de comerem juntos, suas refeições. Esse fato é confirmado ao compararmos o texto a outros existentes no livro de Atos. Vejamos: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Atos 2:42. “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração” Atos 2:46. “E, havendo dito isto, tomou o pão, deu graças a Deus na presença de todos e, partindo-o começou a comer. Então todos cobraram ânimo e se puseram também a comer.” Atos 27:35.
2. Mesmo que tivesse sido uma Santa Ceia, isso não justificaria a mudança do sábado para o domingo como dia sagrado. Perceba também que Paulo não partiu o pão e prolongou o discurso até a meia noite por que era o primeiro dia da semana (domingo), mas sim por que “havia de sair no dia seguinte”. Conclui-se que, mesmo que tivesse sido uma Santa Ceia, ela não foi realizada por ser o primeiro dia da semana, mas por que Paulo viajaria no dia seguinte.
3. Seria mesmo domingo, o dia da realização da Santa Ceia, se ela realmente foi ali realizada? Levando-se em consideração que o dia começa e termina ao pôr-do-sol, de acordo com a Bíblia (Levítico 23:32). O dia é dividido em duas partes, tarde e manhã, vindo primeiro a tarde, para depois a manhã, sendo a tarde parte escura (noite), e manhã parte clara (dia). Essa divisão é clara em Gênesis 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31. Tendo isso por base, pois os apóstolos eram fiéis ao texto sagrado, compreendamos o seguinte:
a. Se os apóstolos estavam reunidos desde o primeiro dia da semana (domingo), então o partir do pão, a Santa Ceia, como alguns querem, não foi realizada no domingo, mas sim na noite de segunda-feira, que começa ao pôr-do-sol de domingo, dessa forma, a alegação de que a realização da Santa Ceia justificaria a guarda do domingo, recai sobre a segunda-feira.
b. Se a Santa Ceia foi na noite de domingo, sendo a noite de domingo após o pôr-do-sol de sábado, então os apóstolos estavam reunidos durante as horas do sábado. Dessa forma confirma que os cristãos estavam juntos celebrando o sábado e a Santa Ceia foi realizada no final do culto, sendo já nas horas do domingo.
Lembremos que a mudança do horário que começa e termina o dia para meia noite foi realizada pelo homem, para Deus o dia começa e termina ao pôr-do-sol (Levítico 23:32), momento da viração do dia. (Gênesis 3:8).
De acordo com a explicação acima, conclui-se que o texto apresentado como base para justificar a guarda do domingo é, no mínimo, controverso e cheio de problemas interpretativos, não sendo aconselhável tomar-lo para formular doutrina alguma, pois apenas apresenta a realização de um costume da igreja primitiva em realizar suas refeições em conjunto. E, mesmo que o texto trate de uma realização de Santa Ceia, os problemas para justificar a guarda do domingo ficam evidentes e complicados para seus defensores.
Precisamos também não esquecer que estamos tratando da mudança da Lei de Deus, escrita com o Seu próprio dedo (Êxodo 31:18 e Deuteronômio 9:10) e um texto dessa natureza não pode justificar tal mudança na escritura do próprio Dedo de Deus. A Bíblia afirma em Daniel 7:25 que um poder dominado por Satanás faria a mudança na Lei de Deus. Portanto, tomemos cuidado para não nos colocar do lado de Satanás.
Que Deus nos abençoe.
Por Roberta Sciamplicotti
NICÓSIA, domingo, 6 de junho de 2010 (ZENIT.org). - Celebrando nesta manhã de domingo a Missa no Palácio de Esportes Eleftheria de Nicósia, capital de Chipre, Bento XVI destacou a importância da Eucaristia, lembrando que aqueles que "se nutrem do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia são reunidos pelo Espírito Santo num só corpo para formar o único povo santo de Deus".
A celebração foi realizada na ocasião da publicação do Instrumentum Laboris da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que se realizará em Roma entre os dias 10 e 24 de outubro.
Participaram da Missa os patriarcas e bispos católicos do Oriente Médio, com representantes das respectivas comunidades. Estava também presente Sua Beatitude Crisóstomos II, arcebispo de Nova Justiniana e de todo Chipre, figura de grande relevância no âmbito do diálogo ecumênico.
O Palácio do Esporte, com capacidade para 7 mil espectadores, estava lotado. Muitos fiéis acompanharam a celebração do lado de fora, onde foram disponibilizadas cadeiras para todos os que não puderam entrar no ginásio.
O Papa se disse "feliz por esta oportunidade de celebrar a Eucaristia junto a tamanho número de fiéis de Chipre, uma terra abençoada pelo trabalho apostólico de São Paulo e São Barnabé", e saudou todos os presentes "com grande afeto", agradecendo "pela hospitalidade e pela generosa acolhida" a ele oferecidas.
Particularmente, dirigiu uma saudação especial às comunidades de imigrantes presentes em Chipre, pedindo em oração para que sua presença "possa enriquecer a atividade e o culto das paróquias", enquanto possam também encontrar "apoio espiritual da antiga herança cristã da terra" que escolheram como casa.
Lembrando que a Igreja celebra neste domingo a solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, o Papa observou que o nome dado à celebração no Ocidente, Corpus Christi, é usado na tradição da Igreja para indicar "três realidades distintas": "o corpo físico de Jesus, nascido da Virgem Maria, seu corpo eucarístico, o pão do céu que nos nutre neste grande sacramento, e seu corpo eclesial, a Igreja".
Refletindo sobre estes diferentes aspectos, indicou, "chegamos a uma compreensão mais profunda do mistério da comunhão que liga todos aqueles que pertencem à Igreja": "Todos aqueles que se nutrem do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia são reunidos pelo Espírito Santo num só corpo para formar o único povo santo de Deus".
"Assim como o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos no cenáculo em Jerusalém, o mesmo Espírito Santo opera em toda celebração da Missa por um duplo escopo: santificar as oferendas do pão e do vinho, para que se tornem o corpo e o sangue de Cristo, e alimentar aqueles que são nutridos por estas santas oferendas, para que possam se tornar um só corpo e um só espírito em Cristo", prosseguiu o Pontífice.
Citando uma alegoria de Santo Agostinho, que "nos lembra que o pão não é preparado a partir de um, mas sim de numerosos grãos", lembrou que "cada um dos que pertencem à Igreja tem necessidade de sair do mundo fechado de sua própria individualidade e aceitar a companhia daqueles que partilham do pão com ele".
"Derrubar as barreiras entre nós e nossos vizinhos é a primeira condição para adentrar na vida divina à qual somos chamados."
Assim, do mesmo modo que nas antigas comunidades cristãs, somos chamados a "superar nossas diferenças, a levar a paz e a reconciliação onde houver conflitos, a oferecer ao mundo uma mensagem de esperança. Somos chamados a estender nossa atenção aos necessitados, dividindo generosamente nossos bens terrenos com aqueles menos afortunados do que nós. E somos chamados a proclamar incessantemente a morte e ressurreição do Senhor, até que Ele venha".
Em sua saudação ao Papa antes da celebração, o arcebispo maronita de Chipre, Youssef Soueif, agradeceu calorosamente por "sua missão de amor", desempenhada "em nível internacional".
Após a homilia de Bento XVI, tomou também a palavra o arcebispo Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, que lembrou a importância da reunião de outubro, ocasião em que rezará pela promoção de "um novo dinamismo pastoral" nas Igrejas do Oriente Médio, como também para que estas Igrejas possam estar "cada vez mais empenhadas na evangelização e na promoção humana", em colaboração com as outras duas grandes religiões monoteístas, o judaísmo e o islamismo.
Fonte Zenit
Nota: A Celebração da Eucaristia, realizada aos domingos pela Igreja Católica, é um ato que eles se reportam ao "partir do pão" realizado por Paulo em Atos 20:7, esse evento foi realizado no primeiro dia da semana. Dessa forma, os defensores do domingo, com base nesse texto, concluem que os primeiros cristãos já realizavam a Santa Ceia no domingo, sendo, assim, um dia santificado pelos apóstolos desde o início da igreja cristã. Entretanto, uma análise mais profunda do texto aponta para outra interpretação mais cabível. Leiamos o verso completo: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite.” Atos 20:7. Vamos analisar alguns pontos interessantes:
1. “partir o pão” – Seria a realização da Santa Ceia ou um simples costume entre os primeiros cristãos? A Santa Ceia, instituída por Cristo (Mateus 26) e confirmada por Paulo (I Coríntios 11), não é realizada somente com “partir o pão”, são dois os elementos principais, o pão e o vinho, de acordo com os textos citados (Mateus 26 e I Coríntios 11). Conclui-se então que, a omissão do vinho nesse evento, elemento essencial na Santa Ceia, “partir o pão” no texto significa a realização de um costume que existia entre os primeiros cristãos de comerem juntos, suas refeições. Esse fato é confirmado ao compararmos o texto a outros existentes no livro de Atos. Vejamos: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Atos 2:42. “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração” Atos 2:46. “E, havendo dito isto, tomou o pão, deu graças a Deus na presença de todos e, partindo-o começou a comer. Então todos cobraram ânimo e se puseram também a comer.” Atos 27:35.
2. Mesmo que tivesse sido uma Santa Ceia, isso não justificaria a mudança do sábado para o domingo como dia sagrado. Perceba também que Paulo não partiu o pão e prolongou o discurso até a meia noite por que era o primeiro dia da semana (domingo), mas sim por que “havia de sair no dia seguinte”. Conclui-se que, mesmo que tivesse sido uma Santa Ceia, ela não foi realizada por ser o primeiro dia da semana, mas por que Paulo viajaria no dia seguinte.
3. Seria mesmo domingo, o dia da realização da Santa Ceia, se ela realmente foi ali realizada? Levando-se em consideração que o dia começa e termina ao pôr-do-sol, de acordo com a Bíblia (Levítico 23:32). O dia é dividido em duas partes, tarde e manhã, vindo primeiro a tarde, para depois a manhã, sendo a tarde parte escura (noite), e manhã parte clara (dia). Essa divisão é clara em Gênesis 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31. Tendo isso por base, pois os apóstolos eram fiéis ao texto sagrado, compreendamos o seguinte:
a. Se os apóstolos estavam reunidos desde o primeiro dia da semana (domingo), então o partir do pão, a Santa Ceia, como alguns querem, não foi realizada no domingo, mas sim na noite de segunda-feira, que começa ao pôr-do-sol de domingo, dessa forma, a alegação de que a realização da Santa Ceia justificaria a guarda do domingo, recai sobre a segunda-feira.
b. Se a Santa Ceia foi na noite de domingo, sendo a noite de domingo após o pôr-do-sol de sábado, então os apóstolos estavam reunidos durante as horas do sábado. Dessa forma confirma que os cristãos estavam juntos celebrando o sábado e a Santa Ceia foi realizada no final do culto, sendo já nas horas do domingo.
Lembremos que a mudança do horário que começa e termina o dia para meia noite foi realizada pelo homem, para Deus o dia começa e termina ao pôr-do-sol (Levítico 23:32), momento da viração do dia. (Gênesis 3:8).
De acordo com a explicação acima, conclui-se que o texto apresentado como base para justificar a guarda do domingo é, no mínimo, controverso e cheio de problemas interpretativos, não sendo aconselhável tomar-lo para formular doutrina alguma, pois apenas apresenta a realização de um costume da igreja primitiva em realizar suas refeições em conjunto. E, mesmo que o texto trate de uma realização de Santa Ceia, os problemas para justificar a guarda do domingo ficam evidentes e complicados para seus defensores.
Precisamos também não esquecer que estamos tratando da mudança da Lei de Deus, escrita com o Seu próprio dedo (Êxodo 31:18 e Deuteronômio 9:10) e um texto dessa natureza não pode justificar tal mudança na escritura do próprio Dedo de Deus. A Bíblia afirma em Daniel 7:25 que um poder dominado por Satanás faria a mudança na Lei de Deus. Portanto, tomemos cuidado para não nos colocar do lado de Satanás.
Que Deus nos abençoe.
05 maio 2010
"Bento XVI não deveria ser Papa"
Uma entrevista com o Historiador Juan Maria Laboa Gallego, profundo conhecedor da história da Igreja Católica nos revela um pouco da personalidade de Bento XVI e de seu pontificado. (RUE)
Autor de "História dos Papas" considera pontificado de Bento XVI "cinzento", mas realça a importância de recentes decisões para consolidação da Igreja Católica
Especialista em História da Igreja, Juan Maria Laboa Gallego mergulhou em dois mil anos de história eclesiástica para reconstituir a vida dos homens que ocuparam o trono de São Pedro.
Um retrato de 268 papas, onde não falta a vida do português João XXI, ainda que não passando de uma simples alusão. De todos os pontificados, são os últimos cinco anos com Bento XVI que considera serem os mais difíceis de analisar.
Refere no seu livro que Bento XVI tem um "perfil modesto". Será assim que o papa ficará na memória?
Este pontificado é um pouco cinzento. Se Bento XVI hoje morresse e não viesse a Portugal, dele não se lembrariam. Também me parece que não está muito interessado em ser recordado.
Ou seja, Bento XVI tem muito pouco em comum com os últimos pontificados?
Tem algumas coisas em comum com João Paulo II, mas parece querer ter no seu pontificado menos mediatismo. Para João Paulo II era tudo público. Bento XVI parece dizer: é preciso ter calma e pouca exposição. Aparece pouco, fala pouco e é muito mais contido. As pessoas têm lhe pouca simpatia, até porque nada faz para ser simpático. Mas está a tomar algumas decisões importantes para a vida da Igreja.
Leia a entrevista completa aqui...
Autor de "História dos Papas" considera pontificado de Bento XVI "cinzento", mas realça a importância de recentes decisões para consolidação da Igreja Católica
Especialista em História da Igreja, Juan Maria Laboa Gallego mergulhou em dois mil anos de história eclesiástica para reconstituir a vida dos homens que ocuparam o trono de São Pedro.
Um retrato de 268 papas, onde não falta a vida do português João XXI, ainda que não passando de uma simples alusão. De todos os pontificados, são os últimos cinco anos com Bento XVI que considera serem os mais difíceis de analisar.
Refere no seu livro que Bento XVI tem um "perfil modesto". Será assim que o papa ficará na memória?
Este pontificado é um pouco cinzento. Se Bento XVI hoje morresse e não viesse a Portugal, dele não se lembrariam. Também me parece que não está muito interessado em ser recordado.
Ou seja, Bento XVI tem muito pouco em comum com os últimos pontificados?
Tem algumas coisas em comum com João Paulo II, mas parece querer ter no seu pontificado menos mediatismo. Para João Paulo II era tudo público. Bento XVI parece dizer: é preciso ter calma e pouca exposição. Aparece pouco, fala pouco e é muito mais contido. As pessoas têm lhe pouca simpatia, até porque nada faz para ser simpático. Mas está a tomar algumas decisões importantes para a vida da Igreja.
Leia a entrevista completa aqui...
19 abril 2010
Crise pode paralisar pontificado de Bento 16, diz vaticanista
O escritor e especialista em Vaticano, John Allen Jr., disse que a crise provocada pelos abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos contra menores é a mais grave dos primeiros cinco anos de Bento 16 como líder da Igreja Católica, e que ela corre o risco de paralisar "por meses e anos" o seu pontificado.
O papa Bento 16, que fez 83 anos na semana passada, completa nesta segunda-feira cinco anos à frente da Igreja Católica.
Em entrevista à BBC Brasil, o vaticanista defende Bento 16 de algumas das críticas e afirma que o pontífice fez, antes e depois de sua eleição, "mais do que qualquer dirigente de seu nível na Igreja para responder bem a esta crise".
Confira aqui a entrevista concedida à BBC Brasil.
O papa Bento 16, que fez 83 anos na semana passada, completa nesta segunda-feira cinco anos à frente da Igreja Católica.
Em entrevista à BBC Brasil, o vaticanista defende Bento 16 de algumas das críticas e afirma que o pontífice fez, antes e depois de sua eleição, "mais do que qualquer dirigente de seu nível na Igreja para responder bem a esta crise".
Confira aqui a entrevista concedida à BBC Brasil.
12 abril 2010
Cientista quer a detenção de Bento XVI
O biólogo evolucionista britânico Richard Dawkins informou que lutará para que o papa Bento XVI seja detido quando visitar a Grã-Bretanha em setembro para que responda sobre os casos de abuso sexual de crianças praticados por integrantes da Igreja Católica.Dawkins, um dos maiores especialistas em evolucionismo e ateu convicto, solicitou que advogados da área de direitos humanos verifiquem a possibilidade de ações legais contra o pontífice. A viagem de quatro dias de Bento XVI à Inglaterra ocorrerá entre 16 e 19 de setembro e será sua primeira visita oficial ao país. Segundo os advogados do biólogo, há três possibilidades: uma denúncia no Tribunal Penal Internacional, um júri público ou privado por crime contra a humanidade ou um processo cível. Os advogados afirmam que Bento XVI não tem imunidade diplomática como chefe de Estado em razão de o Vaticano ter status de apenas observador permanente na ONU.
O papa vem sendo acusado de negligência em casos de abusos. O Vaticano nega as acusações. Ontem, em sua missa dominical, na primeira aparição após acusações de ter ignorado um caso na Califórnia, em 1985, Bento XVI não tratou do assunto.
O jornal britânico The Sunday Telegraph noticiou ontem que autoridades eclesiásticas não agiram no caso de um sacerdote católico que admitiu ter abusado sexualmente de meninos surdos em Yorkshire. O bispo de Leeds, Arthur Roche, escreveu ao Vaticano em busca de auxílio sobre como atuar no caso, mas nada foi feito.
Nota: A Igreja Romana não é a representante de Deus nesta terra como muitos pensam, pelo contrário, ela é simbolizada na Bíblia como uma mulher prostituta (Apocalipse 17). Portanto, se Richard Dawkins pensa que ao combater a ICAR, está combatendo a existência de Deus, ele está enganado. Quanto à ideia de prender o papa e fazê-lo responder pelos crimes de pedofilia cometidos por sacerdotes católicos, eu acredito que, no mínimo, ele deveria ser chamado para responder perante a CCI - Corte Criminal Internacional, e ser dele exigido atitudes mais severas contra sacerdotes pedófilos, e não omitir esses atos horrendos como tem feito. A ICAR terá muito que pagar perante Deus por seus crimes contra a humanidade, e isso vem desde a idade média. Muitos hoje têm aversão à religião devido a atos vergonhosos cometidos por religiosos e outros em nome da religião.
05 abril 2010
Papa pede «mudanças profundas» para resolver crises da actualidade
Bento XVI lembra situações de guerra, violência e perseguição na sua mensagem pascal
Bento XVI pediu este Domingo que haja “mudanças profundas” para que a humanidade possa sair “de uma crise que é profunda”, que inclui várias situações de guerra, violência e perseguição.
Na sua tradicional mensagem “Urbi et Orbi” de Páscoa, desde o Vaticano, o Papa defendeu que “a humanidade tem necessidade de um «êxodo», não de ajustamentos superficiais, mas de uma conversão espiritual e moral”.
Neste contexto, apelou a solusções para o Médio Oriente, pedindo que “os povos realizem um verdadeiro e definitivo «êxodo» da guerra e da violência para a paz e a concórdia”.
Após lembrar “as comunidades cristãs que conhecem provações e sofrimentos, especialmente no Iraque”, o Papa rezou pelos “cristãos que, pela sua fé, sofrem a perseguição e até a morte, como no Paquistão”.
“O Ressuscitado ampare os países assolados pelo terrorismo e pelas discriminações sociais ou religiosas e conceda a força de começar percursos de diálogo e serena convivência”, acrescentou.
Bento XVI aludiu aos “países da América Latina e do Caribe que experimentam uma perigosa recrudescência de crimes ligados ao narcotráfico”.
A mensagem papal recordou também a população do Haiti e do Chile, vítimas de violentos terramotos nos últimos meses, bem como os “conflitos que continuam a provocar destruição e sofrimentos” em África, de modo especial na República Democrática do Congo, Guiné e Nigéria.
O Papa pediu também que “a actividade económica e financeira seja finalmente orientada segundo critérios de verdade, justiça e ajuda fraterna”.
Em conclusão, Bento XVI deixou votos de que “a força salvífica da ressurreição de Cristo invada a humanidade inteira, para que esta supere as múltiplas e trágicas expressões de uma «cultura de morte» que tende a difundir-se, para edificar um futuro de amor e verdade no qual toda a vida humana seja respeitada e acolhida”.
Após a mensagem, o Papa dirigiu saudações de Páscoa, em 65 línguas diferentes, incluindo em português: "Uma Páscoa feliz com Cristo Ressuscitado".
Fonte Agência Ecclesia
Nota: Não esqueçamos que as conversões espiritual e moral, que pede BXVI, são com base nos mandamentos católicos. O mundo está se tornando um caos: epidemias, desastres naturais, violência, crimes, corrupção, terrorismo, discriminação religiosa, desvalorização da pessoa humana, crise financeira, imoralidade e etc, são os sintomas. É em meio ao caos que surge a proposta de uma reorganização global. Estamos prestes a presenciar acontecimentos proféticos há muito tempo esperados.
Bento XVI pediu este Domingo que haja “mudanças profundas” para que a humanidade possa sair “de uma crise que é profunda”, que inclui várias situações de guerra, violência e perseguição.
Na sua tradicional mensagem “Urbi et Orbi” de Páscoa, desde o Vaticano, o Papa defendeu que “a humanidade tem necessidade de um «êxodo», não de ajustamentos superficiais, mas de uma conversão espiritual e moral”.
Neste contexto, apelou a solusções para o Médio Oriente, pedindo que “os povos realizem um verdadeiro e definitivo «êxodo» da guerra e da violência para a paz e a concórdia”.
Após lembrar “as comunidades cristãs que conhecem provações e sofrimentos, especialmente no Iraque”, o Papa rezou pelos “cristãos que, pela sua fé, sofrem a perseguição e até a morte, como no Paquistão”.
“O Ressuscitado ampare os países assolados pelo terrorismo e pelas discriminações sociais ou religiosas e conceda a força de começar percursos de diálogo e serena convivência”, acrescentou.
Bento XVI aludiu aos “países da América Latina e do Caribe que experimentam uma perigosa recrudescência de crimes ligados ao narcotráfico”.
A mensagem papal recordou também a população do Haiti e do Chile, vítimas de violentos terramotos nos últimos meses, bem como os “conflitos que continuam a provocar destruição e sofrimentos” em África, de modo especial na República Democrática do Congo, Guiné e Nigéria.
O Papa pediu também que “a actividade económica e financeira seja finalmente orientada segundo critérios de verdade, justiça e ajuda fraterna”.
Em conclusão, Bento XVI deixou votos de que “a força salvífica da ressurreição de Cristo invada a humanidade inteira, para que esta supere as múltiplas e trágicas expressões de uma «cultura de morte» que tende a difundir-se, para edificar um futuro de amor e verdade no qual toda a vida humana seja respeitada e acolhida”.
Após a mensagem, o Papa dirigiu saudações de Páscoa, em 65 línguas diferentes, incluindo em português: "Uma Páscoa feliz com Cristo Ressuscitado".
Fonte Agência Ecclesia
Nota: Não esqueçamos que as conversões espiritual e moral, que pede BXVI, são com base nos mandamentos católicos. O mundo está se tornando um caos: epidemias, desastres naturais, violência, crimes, corrupção, terrorismo, discriminação religiosa, desvalorização da pessoa humana, crise financeira, imoralidade e etc, são os sintomas. É em meio ao caos que surge a proposta de uma reorganização global. Estamos prestes a presenciar acontecimentos proféticos há muito tempo esperados.
15 março 2010
Papa visitou igreja luterana em Roma
Bento XVI visitou este Domingo a igreja evangélica luterana de Roma, 27 anos depois de João Paulo II ter feito o mesmo, num gesto qualificado como histórico.
O Papa, alemão, esteve nesta comunidade que é, na sua maioria, constituída por germânicos, e foi acolhido pelo pastor Jens-Martin Kruse.
A acompanhar Bento XVI estavam os Cardeais Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, e Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos.
Na sua intervenção, o Papa sublinhou a importância do ecumenismo, reconhecendo contudo que ainda há divergências em “aspectos essenciais”.
Pertencem à comunidade, dirigida por Jens-Martin Kruse, mais de trezentos membros inseridos em diversas actividades espirituais, formativas e culturais. O Papa esteve com eles numa celebração ecuménica e, em seguida, encontrou-se com os membros do Conselho.
Fonte Agência Ecclesia
Nota: O abismo está cada vez menor. As mãos estão sendo estendidas e brevemente não haverá mais abismo.
O Papa, alemão, esteve nesta comunidade que é, na sua maioria, constituída por germânicos, e foi acolhido pelo pastor Jens-Martin Kruse.
A acompanhar Bento XVI estavam os Cardeais Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, e Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos.
Na sua intervenção, o Papa sublinhou a importância do ecumenismo, reconhecendo contudo que ainda há divergências em “aspectos essenciais”.
Pertencem à comunidade, dirigida por Jens-Martin Kruse, mais de trezentos membros inseridos em diversas actividades espirituais, formativas e culturais. O Papa esteve com eles numa celebração ecuménica e, em seguida, encontrou-se com os membros do Conselho.
Fonte Agência Ecclesia
Nota: O abismo está cada vez menor. As mãos estão sendo estendidas e brevemente não haverá mais abismo.
11 fevereiro 2010
Papa recebeu delegação luterana dos EUA
Relançar o dialogo entre luteranos e católicos iniciado de maneira promissora após o Concílio Vaticano II foi o desejo expresso pelo Papa uma delação da Igreja Evangélica Luterana recebida no final da audiência geral, esta Quarta-feira, no Vaticano.
“Desde o início do meu pontificado – disse - senti-me encorajado pelo facto de as relações entre católicos e luteranos terem continuado a crescer, especialmente a nível de colaboração pratica ao serviço do Evangelho”.
Fonte Agência Ecclesia
Nota: "Quando o protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice aliança a América do Norte for induzida a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram dela um governo protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo." Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 151.
“Desde o início do meu pontificado – disse - senti-me encorajado pelo facto de as relações entre católicos e luteranos terem continuado a crescer, especialmente a nível de colaboração pratica ao serviço do Evangelho”.
Fonte Agência Ecclesia
Nota: "Quando o protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice aliança a América do Norte for induzida a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram dela um governo protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo." Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 151.
05 fevereiro 2010
A encíclica Papal oferece bússola moral para os mercados
Norte-americanos buscam mudança política e econômica real
....
Ética nos negócios
Curiosamente, em 1985, Bento XVI, então cardeal Ratzinger, advertiu das consequências de um sistema que elimina sua base moral. Ele disse: “Está-se convertendo em um fato cada vez mais evidente da história econômica que o desenvolvimento dos sistemas econômicos se concentram no bem comum e dependem de um sistema ético determinado, que por sua vez só pode nascer e se manter sozinho por fortes convicções religiosas. Pelo contrário, também há fatos evidentes de que a diminuição dessa disciplina pode causar realmente o colapso das leis do mercado”.
Observamos de forma separada a ética e o mercado, e vimos o colapso do mercado sob o peso de práticas de investimento gananciosas e egoístas. A pergunta é: podemos alcançar um sistema de mercado ético?
No ano passado, em uma pesquisa dos Cavaleiros de Colombo e dos Maristas, concluímos que 3/4 dos americanos e 94% dos executivos consideram que uma empresa pode ser ética e obter sucesso. O necessário é que essa maioria esmagadora abrace as decisões morais. [Da ICAR]
Se os executivos estiverem dispostos a intensificar suas normas éticas, então poderão proporcionar ao povo americano uma alternativa real à regulação do governo - que se mostra incapaz de resolver uma crise, e muito menos de impedir a próxima.
Mas se não quiserem limpar sua própria casa, os líderes empresariais vão deixar os americanos com a escolha forçada entre lançar-se aos joguetes de Wall Street ou à mão pesada de Washington.
Não é de estranhar que, além de ser pessimistas sobre as medidas do governo para resolver a crise econômica, a maioria dos americanos ve que a crise afeta pessoalmente. Em nossa pesquisa, 55% disseram que suas carreiras podem ser afetadas negativamente pelo entorno econômico atual.
Com a maioria dos americanos acreditando que serão afetados negativamente pela crise, isso não é um problema que vai desaparecer por si só.
Voto de não-confiança
Na rua há decepção - ou oposição - tanto à regulação do governo quanto à cobiça empresarial - nenhuma das duas pode resolver a quebra moral dos que separaram a ética da economia.
Até que o povo americano não veja a mudança em que pode acreditar, em Washington e em Wall Street, até que não veja decisões empresariais tomadas sobre uma base moral, a crise de confiança entre os trabalhadores e os consumidores continuará, e isso fica ruim para todos nós.
Mas há esperança. De fato, para os católicos que são proprietários de negócios, executivos, investidores e consumidores, devemos nos dar conta de que nossa própria falta de ação - ou falta de ação pública - está contribuindo para o silêncio em torno das dimensões morais da crise econômica.
Deveríamos dizer, com Shakespeare, que a culpa não está nas estrelas, mas em nós mesmos, e, uma vez que nos dermos conta disso, podemos dar conta também de que esta situação pode ser superada.
Bento XVI nos deu um grande roteiro para um futuro que inclui a ética na economia. Durante anos, e especialmente em sua mais recente encíclica Caritas in Veritate, tem nos mostrado um caminho para o futuro em que a ética está no centro da economia, não às margens.
Devemos despertar os 75% dos americanos e os 94% dos executivos que acreditam que se pode fazer dinheiro de forma ética. Com essa maioria, não deveria ser difícil fazer uma verdadeira diferença na forma de fazer negócios.
Esse é o tipo de mudança em que já acreditam 3/4 do país, e que poderia mudar o mundo para um lugar melhor para todos nós.
Fonte Zenit
Nota: A Encíclica Papal como bússola para resolver os problemas americanos. A profecia parece está andando para seu desfecho final. Apocalipse 13. Uma besta fazendo imagem da outra besta. Não podemos esquecer que a Encíclica Papal sugere uma nova ordem mundial, que possa ter um líder mundial que tome decisões para proteger o meio ambiente, a economia e família.
....
Ética nos negócios
Curiosamente, em 1985, Bento XVI, então cardeal Ratzinger, advertiu das consequências de um sistema que elimina sua base moral. Ele disse: “Está-se convertendo em um fato cada vez mais evidente da história econômica que o desenvolvimento dos sistemas econômicos se concentram no bem comum e dependem de um sistema ético determinado, que por sua vez só pode nascer e se manter sozinho por fortes convicções religiosas. Pelo contrário, também há fatos evidentes de que a diminuição dessa disciplina pode causar realmente o colapso das leis do mercado”.
Observamos de forma separada a ética e o mercado, e vimos o colapso do mercado sob o peso de práticas de investimento gananciosas e egoístas. A pergunta é: podemos alcançar um sistema de mercado ético?
No ano passado, em uma pesquisa dos Cavaleiros de Colombo e dos Maristas, concluímos que 3/4 dos americanos e 94% dos executivos consideram que uma empresa pode ser ética e obter sucesso. O necessário é que essa maioria esmagadora abrace as decisões morais. [Da ICAR]
Se os executivos estiverem dispostos a intensificar suas normas éticas, então poderão proporcionar ao povo americano uma alternativa real à regulação do governo - que se mostra incapaz de resolver uma crise, e muito menos de impedir a próxima.
Mas se não quiserem limpar sua própria casa, os líderes empresariais vão deixar os americanos com a escolha forçada entre lançar-se aos joguetes de Wall Street ou à mão pesada de Washington.
Não é de estranhar que, além de ser pessimistas sobre as medidas do governo para resolver a crise econômica, a maioria dos americanos ve que a crise afeta pessoalmente. Em nossa pesquisa, 55% disseram que suas carreiras podem ser afetadas negativamente pelo entorno econômico atual.
Com a maioria dos americanos acreditando que serão afetados negativamente pela crise, isso não é um problema que vai desaparecer por si só.
Voto de não-confiança
Na rua há decepção - ou oposição - tanto à regulação do governo quanto à cobiça empresarial - nenhuma das duas pode resolver a quebra moral dos que separaram a ética da economia.
Até que o povo americano não veja a mudança em que pode acreditar, em Washington e em Wall Street, até que não veja decisões empresariais tomadas sobre uma base moral, a crise de confiança entre os trabalhadores e os consumidores continuará, e isso fica ruim para todos nós.
Mas há esperança. De fato, para os católicos que são proprietários de negócios, executivos, investidores e consumidores, devemos nos dar conta de que nossa própria falta de ação - ou falta de ação pública - está contribuindo para o silêncio em torno das dimensões morais da crise econômica.
Deveríamos dizer, com Shakespeare, que a culpa não está nas estrelas, mas em nós mesmos, e, uma vez que nos dermos conta disso, podemos dar conta também de que esta situação pode ser superada.
Bento XVI nos deu um grande roteiro para um futuro que inclui a ética na economia. Durante anos, e especialmente em sua mais recente encíclica Caritas in Veritate, tem nos mostrado um caminho para o futuro em que a ética está no centro da economia, não às margens.
Devemos despertar os 75% dos americanos e os 94% dos executivos que acreditam que se pode fazer dinheiro de forma ética. Com essa maioria, não deveria ser difícil fazer uma verdadeira diferença na forma de fazer negócios.
Esse é o tipo de mudança em que já acreditam 3/4 do país, e que poderia mudar o mundo para um lugar melhor para todos nós.
Fonte Zenit
Nota: A Encíclica Papal como bússola para resolver os problemas americanos. A profecia parece está andando para seu desfecho final. Apocalipse 13. Uma besta fazendo imagem da outra besta. Não podemos esquecer que a Encíclica Papal sugere uma nova ordem mundial, que possa ter um líder mundial que tome decisões para proteger o meio ambiente, a economia e família.
26 janeiro 2010
Papa a cristãos: dar testemunho comum “já” - Em questões centrais como bioética, ECOLOGIA e luta contra a pobreza
ROMA, segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI pediu hoje a todos os cristãos, durante sua homilia nas vésperas solenes celebradas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, que não esperem a unidade plena para dar um testemunho comum, mas que já o façam na medida do possível.
Na celebração que conclui os atos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e que reuniu os representantes das conferências cristãs presentes em Roma, o Santo Padre pediu a cada um que desse “sua contribuição para levar a cabo os passos que conduzam à comunhão plena”.
Ainda que “não faltem, infelizmente, questões que nos separam uns dos outros e que esperamos que possam ser superadas através da oração e do diálogo – admitiu o Papa –, há um conteúdo central da mensagem de Cristo que podemos anunciar todos juntos”.
Esta mensagem é, afirmou, “a paternidade de Deus, a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte com sua cruz e ressurreição, a confiança na ação transformadora do Espírito”.
“Enquanto estamos em caminho rumo à comunhão plena, somos chamados a oferecer um testemunho comum frente aos desafios cada vez mais complexos da nossa época”, exortou.
Entre estes desafios, “a secularização e a indiferença, o relativismo e o hedonismo, os delicados temas éticos com relação ao começo e final da vida, os limites da ciência e da tecnologia, o diálogo com as demais tradições religiosas”.
Além disso, indicou que há novos campos “nos quais devemos, desde já, dar um testemunho comum”; entre eles, destacou “a proteção da criação, a promoção do bem comum e da paz, a defesa da centralidade da pessoa humana, o compromisso por vencer as misérias da nossa época, como a fome, a indigência, o analfabetismo, a desigual distribuição dos bens”.
Edimburgo
Neste sentido, recordou a “intuição fundamental” da Conferência Missionária de Edimburgo em 1910, da qual este ano se celebra o centenário, de que os cristãos não podem anunciar o Evangelho de forma convincente se estiverem divididos.
A conferência, afirmou o Papa, foi “um acontecimento determinante para o nascimento do movimento ecumênico moderno”.
É precisamente “o desejo de anunciar Cristo aos demais e de levar ao mundo sua mensagem de reconciliação que faz experimentar a contradição da divisão dos cristãos”, explicou. “Como os incrédulos poderão, de fato, acolher o anúncio do Evangelho se os cristãos, apesar de se referirem todos ao mesmo Cristo, estão em desacordo entre eles?”
“Há um século de distância, desde o acontecimento de Edimburgo, a intuição daqueles valentes precursores ainda é atualíssima”, afirmou o Papa.
“Em um mundo marcado pela indiferença religiosa e inclusive por uma crescente aversão à fé cristã, é necessária uma nova e intensa atividade de evangelização, não somente entre os povos que nunca conheceram o Evangelho, mas também naqueles em que o cristianismo se difundiu e faz parte da sua história”, acrescentou.
Recordando o recentemente clausurado Ano de São Paulo, o Papa sublinhou que o testemunho comum da fé, “naquele então, como hoje, nasce do encontro com o Ressuscitado, nutre-se da relação constante com Ele, está animado pelo amor profundo a Ele”.
“A força que promove a unidade e a missão surge do encontro fecundo e apaixonante com o Ressuscitado, como aconteceu com São Paulo no caminho de Damasco”, concluiu.
No início das vésperas, o cardeal Ealter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, havia sublinhado, neste sentido, que “ecumenismo e missão são inseparáveis; são, por assim dizer, gêmeos”.
“Como podemos levar a cabo, de maneira crível, a tarefa confiada por nosso Senhor, que é a de anunciar a unidade, a reconciliação e a paz, se os próprios cristãos não estão unidos nem reconciliados entre si?”, perguntou-se.
Neste sentido, replicou que “missão e ecumenismo são as tarefas mais importantes que o mundo atual e a cristandade devem conseguir levar adiante”.
Fonte Zenit
Nota: O Ecumenismo está se tornando em um Ecomenismo.
Na celebração que conclui os atos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e que reuniu os representantes das conferências cristãs presentes em Roma, o Santo Padre pediu a cada um que desse “sua contribuição para levar a cabo os passos que conduzam à comunhão plena”.
Ainda que “não faltem, infelizmente, questões que nos separam uns dos outros e que esperamos que possam ser superadas através da oração e do diálogo – admitiu o Papa –, há um conteúdo central da mensagem de Cristo que podemos anunciar todos juntos”.
Esta mensagem é, afirmou, “a paternidade de Deus, a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte com sua cruz e ressurreição, a confiança na ação transformadora do Espírito”.
“Enquanto estamos em caminho rumo à comunhão plena, somos chamados a oferecer um testemunho comum frente aos desafios cada vez mais complexos da nossa época”, exortou.
Entre estes desafios, “a secularização e a indiferença, o relativismo e o hedonismo, os delicados temas éticos com relação ao começo e final da vida, os limites da ciência e da tecnologia, o diálogo com as demais tradições religiosas”.
Além disso, indicou que há novos campos “nos quais devemos, desde já, dar um testemunho comum”; entre eles, destacou “a proteção da criação, a promoção do bem comum e da paz, a defesa da centralidade da pessoa humana, o compromisso por vencer as misérias da nossa época, como a fome, a indigência, o analfabetismo, a desigual distribuição dos bens”.
Edimburgo
Neste sentido, recordou a “intuição fundamental” da Conferência Missionária de Edimburgo em 1910, da qual este ano se celebra o centenário, de que os cristãos não podem anunciar o Evangelho de forma convincente se estiverem divididos.
A conferência, afirmou o Papa, foi “um acontecimento determinante para o nascimento do movimento ecumênico moderno”.
É precisamente “o desejo de anunciar Cristo aos demais e de levar ao mundo sua mensagem de reconciliação que faz experimentar a contradição da divisão dos cristãos”, explicou. “Como os incrédulos poderão, de fato, acolher o anúncio do Evangelho se os cristãos, apesar de se referirem todos ao mesmo Cristo, estão em desacordo entre eles?”
“Há um século de distância, desde o acontecimento de Edimburgo, a intuição daqueles valentes precursores ainda é atualíssima”, afirmou o Papa.
“Em um mundo marcado pela indiferença religiosa e inclusive por uma crescente aversão à fé cristã, é necessária uma nova e intensa atividade de evangelização, não somente entre os povos que nunca conheceram o Evangelho, mas também naqueles em que o cristianismo se difundiu e faz parte da sua história”, acrescentou.
Recordando o recentemente clausurado Ano de São Paulo, o Papa sublinhou que o testemunho comum da fé, “naquele então, como hoje, nasce do encontro com o Ressuscitado, nutre-se da relação constante com Ele, está animado pelo amor profundo a Ele”.
“A força que promove a unidade e a missão surge do encontro fecundo e apaixonante com o Ressuscitado, como aconteceu com São Paulo no caminho de Damasco”, concluiu.
No início das vésperas, o cardeal Ealter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, havia sublinhado, neste sentido, que “ecumenismo e missão são inseparáveis; são, por assim dizer, gêmeos”.
“Como podemos levar a cabo, de maneira crível, a tarefa confiada por nosso Senhor, que é a de anunciar a unidade, a reconciliação e a paz, se os próprios cristãos não estão unidos nem reconciliados entre si?”, perguntou-se.
Neste sentido, replicou que “missão e ecumenismo são as tarefas mais importantes que o mundo atual e a cristandade devem conseguir levar adiante”.
Fonte Zenit
Nota: O Ecumenismo está se tornando em um Ecomenismo.
25 janeiro 2010
PAPA E PATRIARCA SÉRVIO EM SINTONIA RUMO À COMUNHÃO
Cidade do Vaticano/Belgrado, 24 jan (RV) - Bento XVI enviou ontem uma mensagem ao recém-eleito Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia, Sua Santidade Irinej, no dia de sua posse.
“Alegrei-me ao saber de sua eleição como Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia e rezo para que o Senhor lhe conceda muitos dons de graça e sabedoria para o cumprimento de suas altas responsabilidades ao serviço da Igreja e do povo que lhe foi confiado” – escreve o pontífice em um telegrama.
Bento XVI também pede a Deus que lhe ofereça a força interior para reforçar a unidade e o crescimento espiritual da Igreja Ortodoxa sérvia e para construir relações fraternas com outras Igrejas e comunidades eclesiais.
Ao elogiar o trabalho do Patriarca Pavle I, antecessor de Irinej, (falecido em 15 de novembro passado), Bento XVI ressaltou seu exemplo de fidelidade ao Senhor e seus muitos gestos de abertura em relação à Igreja Católica.
Enfim, o papa garante: “a Igreja Católica continuará comprometida nas relações fraternas e no diálogo teológico, a fim de que os obstáculos que ainda impedem a plena comunhão entre nós possam ser superados”.
Antes de ser eleito, Irinej manifestou seu desejo de melhorar os laços com a Igreja Católica, e se mostrou partidário que o papa Bento XVI visite a Sérvia em 2013. Seria a primeira visita de um pontífice a esse país.
Ontem à tarde, na cerimônia de investidura, na catedral de Belgrado, com a presença da cúpula do Governo sérvio, Irinej disse que este era um grande dia para ele, para o povo sérvio e para a Igreja Ortodoxa Sérvia, e reconheceu que sua escolha representa uma grande responsabilidade.
Prosseguindo em seu discurso, o novo patriarca reivindicou a soberania de Belgrado sobre o Kosovo, definindo esta província independentista como a “Terra Santa”; a “Jerusalém da Sérvia”.
“Sem o Kosovo, a Sérvia não é a Sérvia” – afirmou, completando que “tarefa primordial e mais santa” da Igreja sérvia é “ajudar o Estado a defender o santo e mártir Kosovo daqueles que o querem roubar”.
Irinej foi eleito sexta-feira, 22, após a reunião do Conselho Eclesiástico Eleitoral, em Belgrado, na Sérvia. Seu título oficial agora é o de Arcebispo de Pec, Metropolita de Belgrado-Karlovac e patriarca sérvio.
Nascido em 1930 na aldeia de Vodova, próximo a Cacak, na Sérvia Ocidental, foi seminarista em Prizren, no Kosovo, estudou teologia em Belgrado e Atenas.
Foi professor no Seminário de Belgrado, diretor da escola monástica do mosteiro de Ostrog, em Montenegro, reitor do seminário em Prizren e, em 1975, foi eleito bispo diocesano de Nis, na Sérvia, berço do Imperador Constantino, o Grande.
Por parte do Vaticano, também o Cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos enviou um telegrama ao novo patriarca, expressando-lhe sua alegria e proximidade na oração.
“Com a firme consciência de que a unidade não é resultado de nossas forças humanas – escreve o cardeal alemão – peço ao Senhor que lhe conceda muitas dádivas, e que o Espírito Santo esteja ao seu lado nessa nova missão como líder da Igreja Ortodoxa servia e no serviço da comunhão entre os cristãos”.
(CM).
Fonte Rádio Vaticana
Nota: João Paulo II fez um grande trabalho na cura da ferida, agora, Bento XVI, aproveitando as ações de João Paulo II, trabalha na união de todos os cristãos. O objetivo seria de promover um Ecumenismo onde todas as outras ramificações do cristianismo devem mudar, menos a Igreja Católica.
“Alegrei-me ao saber de sua eleição como Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia e rezo para que o Senhor lhe conceda muitos dons de graça e sabedoria para o cumprimento de suas altas responsabilidades ao serviço da Igreja e do povo que lhe foi confiado” – escreve o pontífice em um telegrama.
Bento XVI também pede a Deus que lhe ofereça a força interior para reforçar a unidade e o crescimento espiritual da Igreja Ortodoxa sérvia e para construir relações fraternas com outras Igrejas e comunidades eclesiais.
Ao elogiar o trabalho do Patriarca Pavle I, antecessor de Irinej, (falecido em 15 de novembro passado), Bento XVI ressaltou seu exemplo de fidelidade ao Senhor e seus muitos gestos de abertura em relação à Igreja Católica.
Enfim, o papa garante: “a Igreja Católica continuará comprometida nas relações fraternas e no diálogo teológico, a fim de que os obstáculos que ainda impedem a plena comunhão entre nós possam ser superados”.
Antes de ser eleito, Irinej manifestou seu desejo de melhorar os laços com a Igreja Católica, e se mostrou partidário que o papa Bento XVI visite a Sérvia em 2013. Seria a primeira visita de um pontífice a esse país.
Ontem à tarde, na cerimônia de investidura, na catedral de Belgrado, com a presença da cúpula do Governo sérvio, Irinej disse que este era um grande dia para ele, para o povo sérvio e para a Igreja Ortodoxa Sérvia, e reconheceu que sua escolha representa uma grande responsabilidade.
Prosseguindo em seu discurso, o novo patriarca reivindicou a soberania de Belgrado sobre o Kosovo, definindo esta província independentista como a “Terra Santa”; a “Jerusalém da Sérvia”.
“Sem o Kosovo, a Sérvia não é a Sérvia” – afirmou, completando que “tarefa primordial e mais santa” da Igreja sérvia é “ajudar o Estado a defender o santo e mártir Kosovo daqueles que o querem roubar”.
Irinej foi eleito sexta-feira, 22, após a reunião do Conselho Eclesiástico Eleitoral, em Belgrado, na Sérvia. Seu título oficial agora é o de Arcebispo de Pec, Metropolita de Belgrado-Karlovac e patriarca sérvio.
Nascido em 1930 na aldeia de Vodova, próximo a Cacak, na Sérvia Ocidental, foi seminarista em Prizren, no Kosovo, estudou teologia em Belgrado e Atenas.
Foi professor no Seminário de Belgrado, diretor da escola monástica do mosteiro de Ostrog, em Montenegro, reitor do seminário em Prizren e, em 1975, foi eleito bispo diocesano de Nis, na Sérvia, berço do Imperador Constantino, o Grande.
Por parte do Vaticano, também o Cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos enviou um telegrama ao novo patriarca, expressando-lhe sua alegria e proximidade na oração.
“Com a firme consciência de que a unidade não é resultado de nossas forças humanas – escreve o cardeal alemão – peço ao Senhor que lhe conceda muitas dádivas, e que o Espírito Santo esteja ao seu lado nessa nova missão como líder da Igreja Ortodoxa servia e no serviço da comunhão entre os cristãos”.
(CM).
Fonte Rádio Vaticana
Nota: João Paulo II fez um grande trabalho na cura da ferida, agora, Bento XVI, aproveitando as ações de João Paulo II, trabalha na união de todos os cristãos. O objetivo seria de promover um Ecumenismo onde todas as outras ramificações do cristianismo devem mudar, menos a Igreja Católica.
19 janeiro 2010
Papa saúda diálogo católico-luterano
Bento XVI recebe delegação ecuménica finlandesa no início da semana de oração pela unidade dos cristãos. Bento XVI manifestou hoje a sua satisfação pelos avanços registados no diálogo católico-luterano em países nórdicos, lembrando a “Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação”, publicada há dez anos.
O Papa classificou-a como “um sinal concreto da fraternidade redescoberta entre Luteranos e Católicos”, congratulando-se com os recentes trabalhos do diálogo católico–luterano do Norte, na Finlândia e na Suécia, precisamente sobre questões derivantes daquela Declaração Conjunta.
Bento XVI falava esta manhã, no Vaticano, ao receber uma delegação ecuménica procedente da Finlândia, na habitual visita anual por ocasião da festa de Santo Henrique, patrono dessa nação.
No primeiro dia da semana de oração pela unidade dos cristãos, que se prolonga até ao próximo dia 25 de Janeiro, o Papa congratulou-se com a fidelidade revelada nestas visitas anuais, que demonstram “respeito pelo Sucessor de Pedro” e exprimem também “boa fé e desejo de unidade através de um diálogo fraterno”.
“É minha fervorosa oração que as variadas Igrejas Cristãs e comunidades que vós representais possam crescer neste sentido de fraternidade, perseverando na nossa peregrinação conjunta”, afirmou.
No que diz respeito à Igreja Católica, indicou Bento XVI, esta encontra-se, a partir do Concílio Vaticano II “irrevogavelmente empenhada em seguir o caminho do movimento ecuménico, em obediência ao Espírito do Senhor que nos ensina a interpretar atentamente os sinais dos tempos”.
Fonte Agência Ecclesia
O Papa classificou-a como “um sinal concreto da fraternidade redescoberta entre Luteranos e Católicos”, congratulando-se com os recentes trabalhos do diálogo católico–luterano do Norte, na Finlândia e na Suécia, precisamente sobre questões derivantes daquela Declaração Conjunta.
Bento XVI falava esta manhã, no Vaticano, ao receber uma delegação ecuménica procedente da Finlândia, na habitual visita anual por ocasião da festa de Santo Henrique, patrono dessa nação.
No primeiro dia da semana de oração pela unidade dos cristãos, que se prolonga até ao próximo dia 25 de Janeiro, o Papa congratulou-se com a fidelidade revelada nestas visitas anuais, que demonstram “respeito pelo Sucessor de Pedro” e exprimem também “boa fé e desejo de unidade através de um diálogo fraterno”.
“É minha fervorosa oração que as variadas Igrejas Cristãs e comunidades que vós representais possam crescer neste sentido de fraternidade, perseverando na nossa peregrinação conjunta”, afirmou.
No que diz respeito à Igreja Católica, indicou Bento XVI, esta encontra-se, a partir do Concílio Vaticano II “irrevogavelmente empenhada em seguir o caminho do movimento ecuménico, em obediência ao Espírito do Senhor que nos ensina a interpretar atentamente os sinais dos tempos”.
Fonte Agência Ecclesia
18 janeiro 2010
Saia justa papal - Leia a nota do final da postagem
Em meio a duras críticas, o papa Bento XVI defendeu ontem as ações da Igreja Católica frente ao Holocausto dentro da principal sinagoga de Roma. A visita dividiu a comunidade judaica italiana, após ele ter dado continuidade ao processo de beatificação de Pio XII, no mês passado. Líder da Igreja Católica durante a II Guerra Mundial, Pio XII é acusado de ter silenciado sobre as ações nazistas.
Em seu discurso ao Papa, o presidente das Comunidades Judaicas de Roma, Riccardo Pacifici, salientou que os esforços para a beatificação fazem o “silêncio” de Pio XII doer ainda mais.
– Talvez isso não tivesse impedido os trens da morte, mas teria mandado um sinal, uma palavra de extremo conforto, de solidariedade humana, para aqueles nossos irmãos transportados aos fornos de Auschwitz – afirmou Pacifici, em um dos mais explícitos comentários já feitos por um líder judeu em público a um Pontífice.
Fonte Zero Hora
Nota: A Igreja Católica tem uma história negra de crimes contra a humanidade. Hoje eles tentam apagar seu passado. No entanto, atos como esse protagonizado por Bento XVI, beatificando um papa que se manteve em silêncio diante do massacre realizado por Hitler, só abre de volta velhas feridas. Além de demonstrar verdadeira fase da Igreja Católica.
Hoje a Igreja Romana prega a paz, o amor e a união, mas seu passado é cheio de guerra, de ódio e de discórdia, e isso tudo eles afirmam ter sido em nome de Deus. Por esse motivo uma boa parte da Europa, palco dos grandes massacres da ICAR, fechou as portas do coração à palavra de Deus. Essa igreja prestará contas por seus crimes e por ter representado falsamente o caráter de Deus neste terra. O desejo pelo dinheiro e pelo poder foi sua ruína. Infelizmente muitos nem se dão conta disso.
O que mais me preocupa é que o protestantismo, que surgiu para exaltar o caráter de Deus, cada dia que passa se corrompe pelo mesmo pecado. Pedro no avisou que isso aconteceria: "E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá, também, falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição; E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; E, por avareza, farão de vós negócio, com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." II Pedro 2:1-3. Curas, milagres, prosperidade são promessas realizadas àqueles que fazem doação em dinheiro para esses pretensos ministros do "evangelho". É lamentável ter que concordar, mas é verdade: O mundo evangélico virou um dos negócios mais lucrativos que existe. Quero só avisar a todos, indiscriminadamente, que aqueles que estão usando o evangelho para obtenção de lucro terão o mesmo destino de Satanás. "E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta [Protestantismo Apostatado]; e, de dia e de noite, serão atormentados, para todo o sempre. [Até que sejam totalmente destruídos. Mal. 4:1, Isaías 1:28, Sal. 145:20, Sal. 92:7, Sal. 37:20]" Apocalipse 20:10. Parênteses acrescentados.
Em seu discurso ao Papa, o presidente das Comunidades Judaicas de Roma, Riccardo Pacifici, salientou que os esforços para a beatificação fazem o “silêncio” de Pio XII doer ainda mais.
– Talvez isso não tivesse impedido os trens da morte, mas teria mandado um sinal, uma palavra de extremo conforto, de solidariedade humana, para aqueles nossos irmãos transportados aos fornos de Auschwitz – afirmou Pacifici, em um dos mais explícitos comentários já feitos por um líder judeu em público a um Pontífice.
Fonte Zero Hora
Nota: A Igreja Católica tem uma história negra de crimes contra a humanidade. Hoje eles tentam apagar seu passado. No entanto, atos como esse protagonizado por Bento XVI, beatificando um papa que se manteve em silêncio diante do massacre realizado por Hitler, só abre de volta velhas feridas. Além de demonstrar verdadeira fase da Igreja Católica.
Hoje a Igreja Romana prega a paz, o amor e a união, mas seu passado é cheio de guerra, de ódio e de discórdia, e isso tudo eles afirmam ter sido em nome de Deus. Por esse motivo uma boa parte da Europa, palco dos grandes massacres da ICAR, fechou as portas do coração à palavra de Deus. Essa igreja prestará contas por seus crimes e por ter representado falsamente o caráter de Deus neste terra. O desejo pelo dinheiro e pelo poder foi sua ruína. Infelizmente muitos nem se dão conta disso.
O que mais me preocupa é que o protestantismo, que surgiu para exaltar o caráter de Deus, cada dia que passa se corrompe pelo mesmo pecado. Pedro no avisou que isso aconteceria: "E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá, também, falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição; E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; E, por avareza, farão de vós negócio, com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." II Pedro 2:1-3. Curas, milagres, prosperidade são promessas realizadas àqueles que fazem doação em dinheiro para esses pretensos ministros do "evangelho". É lamentável ter que concordar, mas é verdade: O mundo evangélico virou um dos negócios mais lucrativos que existe. Quero só avisar a todos, indiscriminadamente, que aqueles que estão usando o evangelho para obtenção de lucro terão o mesmo destino de Satanás. "E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta [Protestantismo Apostatado]; e, de dia e de noite, serão atormentados, para todo o sempre. [Até que sejam totalmente destruídos. Mal. 4:1, Isaías 1:28, Sal. 145:20, Sal. 92:7, Sal. 37:20]" Apocalipse 20:10. Parênteses acrescentados.
12 janeiro 2010
Discurso de Bento XVI a diplomatas de 178 países
Cidade do Vaticano, 11 jan (RV) – A preservação da natureza esteve no centro do discurso de Bento XVI ao corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé, recebido esta manhã na Sala Regia, no Vaticano, para as felicitações no início do novo ano.
Recebendo os embaixadores de 178 países, em seu discurso, o papa saudou todas as outras nações da Terra: "O Sucessor de Pedro mantém aberta a sua porta para todos, e com todos deseja tecer relações que contribuam para o progresso da família humana".
A seguir, Bento XVI falou dos perigos ecológicos que ameaçam o planeta: "A negação de Deus desfigura a liberdade da pessoa humana, mas devasta também a criação. Daqui resulta que a preservação da natureza não visa tanto responder a uma exigência estética, mas, sobretudo, a uma exigência moral", citando a recente Cúpula de Copenhague, e os eventos sobre o clima que aguardam os líderes mundiais em 2010, fazendo votos de que chegue a um acordo satisfatório.
Ao falar sobre segurança alimentar, o papa recordou de sua viagem a Camarões e Angola em março do ano passado e realização do Sínodo para a África. Os Padres Sinodais assinalaram, com preocupação, a erosão e a desertificação de amplas extensões de terra cultivável, por causa da exploração selvagem e da poluição do ambiente. Na África, como em outros lugares, é necessário adotar opções políticas e econômicas capazes de assegurar formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos.
Por outro lado, a luta pelo acesso aos recursos naturais é uma das causas de vários conflitos. "Esta é mais uma razão que me leva a repetir com vigor que, para cultivar a paz, é preciso proteger a criação" – disse o papa. "Em diversas partes, há ainda vastas extensões, por exemplo, no Afeganistão ou em alguns países da América Latina, onde infelizmente a agricultura ainda está ligada à produção de droga, constituindo uma fonte não indiferente de emprego e subsistência."
"A proteção da criação é um fator importante de paz e de justiça" – recordou. O papa condenou as guerras em Darfur, na República Democrática do Congo e na Somália. Mencionou as perseguições religiosas contra os cristãos do Médio Oriente, citando a convocação do Sínodo dos Bispos para o outubro próximo, no Vaticano.
Falando da Europa, analisou a mídia e o tratamento dispensado à religião, particularmente à religião cristã. Discorreu sobre a laicidade positiva, aberta, que, fundada sobre uma justa autonomia da ordem temporal e da ordem espiritual, favorece uma sã cooperação e um espírito de responsabilidade compartilhada.
No contexto da preservação da natureza e da salvaguarda da Criação, o papa relevou um aspecto importante, característico do 'ser cristão': a solidariedade, expressa por muitos nos momentos de necessidade.
Bento XVI citou as catástrofes naturais que semearam mortes, sofrimentos e destruições, neste ano que passou, nas Filipinas, no Vietnã, Laos, Camboja, na ilha de Taipei e na Indonésia, e ainda na região italiana dos Abruzos, ferida pelo terremoto em abril passado.
"Mas, além da solidariedade, a preservação da criação tem necessidade também da concórdia e da estabilidade dos Estados" – sugeriu o pontífice.
Para defender a paz em meio a divergências e hostilidades, os líderes devem seguir com tenacidade o caminho de um diálogo construtivo. Como exemplo, Bento XVI citou a América Latina, recordando o ocorrido há 25 anos com o Tratado de Paz e Amizade entre a Argentina e o Chile, concluído graças à mediação da Sé Apostólica, e a atual aproximação entre Colômbia e Equador, depois de vários meses de tensão.
A respeito de pacificação, foram recordados o entendimento concluído entre a Croácia e a Eslovênia e o acordo entre a Armênia e a Turquia, além de auspiciada a melhora das relações entre todos os países do Cáucaso meridional.
Uma vez mais, o papa elevou a voz pedindo que seja universalmente reconhecido o direito do Estado de Israel a existir e gozar de paz e segurança nas fronteiras internacionalmente reconhecidas; e igualmente, que seja reconhecido o direito do povo palestino a uma pátria soberana e independente, a viver com dignidade e a movimentar-se livremente.
O pontífice pediu o apoio de todos para que se protejam a identidade e o caráter sagrado de Jerusalém: “Só assim, esta cidade única, santa e atribulada poderá ser sinal e antecipação da paz que Deus deseja para toda a família humana”.
Sobre o Iraque, Bento XVI exortou seus governantes e cidadãos a superarem as divisões, a tentação da violência e a intolerância, para construírem juntos o futuro do país.
Enfim, abordando um tema da crônica de nossos dias, o papa recordou a necessidade de respeito, segurança e liberdade para as comunidades cristãs, citando o Paquistão, duramente fustigado pela violência nestes últimos meses.
Ainda a respeito de violência anticristã, o papa mencionou o deplorável atentado contra a comunidade copta egípcia nestes últimos dias, precisamente quando festejava o Natal.
Bento XVI fez votos de soluções compartilhadas para situações difíceis no Irã, no Líbano, na Guiné e em Madagascar, e se desculpou por não poder citar todos os países representados.
Concluindo, recordou que há tanto sofrimento na humanidade e o egoísmo humano danifica a criação de muitas maneiras. É por isso que a expectativa da salvação, que diz respeito a toda a Criação, aparece ainda mais intensa e está presente no coração de todos, crentes e ateus. Suas últimas palavras foram de esperança:
"Que a luz e a força de Jesus nos ajudem a respeitar a ecologia humana, cientes de que esta beneficiará a ecologia ambiental, porque o livro da natureza é único e indivisível. Poderemos assim consolidar a paz para as gerações atuais e futuras." (BF/CM)
Fonta Rádio Vaticana
Nota: O mundo está bebendo do vinho de sua prostituição. Foram 178 países, ouvindo BXVI clamar por um acordo climática para proteger o planeta da destruição iminente. Ele (BXVI) afirma que preservar a natureza é uma exigência moral, sabemos que o código moral da igreja CAR é os seus dez mandamentos, muitas vezes chamado de lei natural. Mandamentos esses, adulterados pela própria igreja como sinal de autoridade. Pois eles afirmam que o Pontífice Máximo (O Papa) é o representante de Cristo nesta terra, se alto proclamando como a pedra fundamental da igreja, conceito este tirado da conversa entre Cristo e Pedro. Cristo jamais afirmou que Pedro era a Pedra, Jesus se referia a Ele mesmo; o próprio Pedro entendeu, pois afirmou que Pedra era Cristo (At. 4:11; I Pe. 2:4-8). Paulo também afirmou categoricamente que Jesus é a Pedra (I Co. 10:4; Ef. 2:20). Pedro nunca foi o papa da Igreja, pelo contrário, o principal líder da Igreja Apóstolica foi Tiago (Gál. 2:9), perceba que Tiago é citado como a primeira coluna, depois dele é que vem Pedro e, logo depois, João.
Recebendo os embaixadores de 178 países, em seu discurso, o papa saudou todas as outras nações da Terra: "O Sucessor de Pedro mantém aberta a sua porta para todos, e com todos deseja tecer relações que contribuam para o progresso da família humana".
A seguir, Bento XVI falou dos perigos ecológicos que ameaçam o planeta: "A negação de Deus desfigura a liberdade da pessoa humana, mas devasta também a criação. Daqui resulta que a preservação da natureza não visa tanto responder a uma exigência estética, mas, sobretudo, a uma exigência moral", citando a recente Cúpula de Copenhague, e os eventos sobre o clima que aguardam os líderes mundiais em 2010, fazendo votos de que chegue a um acordo satisfatório.
Ao falar sobre segurança alimentar, o papa recordou de sua viagem a Camarões e Angola em março do ano passado e realização do Sínodo para a África. Os Padres Sinodais assinalaram, com preocupação, a erosão e a desertificação de amplas extensões de terra cultivável, por causa da exploração selvagem e da poluição do ambiente. Na África, como em outros lugares, é necessário adotar opções políticas e econômicas capazes de assegurar formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos.
Por outro lado, a luta pelo acesso aos recursos naturais é uma das causas de vários conflitos. "Esta é mais uma razão que me leva a repetir com vigor que, para cultivar a paz, é preciso proteger a criação" – disse o papa. "Em diversas partes, há ainda vastas extensões, por exemplo, no Afeganistão ou em alguns países da América Latina, onde infelizmente a agricultura ainda está ligada à produção de droga, constituindo uma fonte não indiferente de emprego e subsistência."
"A proteção da criação é um fator importante de paz e de justiça" – recordou. O papa condenou as guerras em Darfur, na República Democrática do Congo e na Somália. Mencionou as perseguições religiosas contra os cristãos do Médio Oriente, citando a convocação do Sínodo dos Bispos para o outubro próximo, no Vaticano.
Falando da Europa, analisou a mídia e o tratamento dispensado à religião, particularmente à religião cristã. Discorreu sobre a laicidade positiva, aberta, que, fundada sobre uma justa autonomia da ordem temporal e da ordem espiritual, favorece uma sã cooperação e um espírito de responsabilidade compartilhada.
No contexto da preservação da natureza e da salvaguarda da Criação, o papa relevou um aspecto importante, característico do 'ser cristão': a solidariedade, expressa por muitos nos momentos de necessidade.
Bento XVI citou as catástrofes naturais que semearam mortes, sofrimentos e destruições, neste ano que passou, nas Filipinas, no Vietnã, Laos, Camboja, na ilha de Taipei e na Indonésia, e ainda na região italiana dos Abruzos, ferida pelo terremoto em abril passado.
"Mas, além da solidariedade, a preservação da criação tem necessidade também da concórdia e da estabilidade dos Estados" – sugeriu o pontífice.
Para defender a paz em meio a divergências e hostilidades, os líderes devem seguir com tenacidade o caminho de um diálogo construtivo. Como exemplo, Bento XVI citou a América Latina, recordando o ocorrido há 25 anos com o Tratado de Paz e Amizade entre a Argentina e o Chile, concluído graças à mediação da Sé Apostólica, e a atual aproximação entre Colômbia e Equador, depois de vários meses de tensão.
A respeito de pacificação, foram recordados o entendimento concluído entre a Croácia e a Eslovênia e o acordo entre a Armênia e a Turquia, além de auspiciada a melhora das relações entre todos os países do Cáucaso meridional.
Uma vez mais, o papa elevou a voz pedindo que seja universalmente reconhecido o direito do Estado de Israel a existir e gozar de paz e segurança nas fronteiras internacionalmente reconhecidas; e igualmente, que seja reconhecido o direito do povo palestino a uma pátria soberana e independente, a viver com dignidade e a movimentar-se livremente.
O pontífice pediu o apoio de todos para que se protejam a identidade e o caráter sagrado de Jerusalém: “Só assim, esta cidade única, santa e atribulada poderá ser sinal e antecipação da paz que Deus deseja para toda a família humana”.
Sobre o Iraque, Bento XVI exortou seus governantes e cidadãos a superarem as divisões, a tentação da violência e a intolerância, para construírem juntos o futuro do país.
Enfim, abordando um tema da crônica de nossos dias, o papa recordou a necessidade de respeito, segurança e liberdade para as comunidades cristãs, citando o Paquistão, duramente fustigado pela violência nestes últimos meses.
Ainda a respeito de violência anticristã, o papa mencionou o deplorável atentado contra a comunidade copta egípcia nestes últimos dias, precisamente quando festejava o Natal.
Bento XVI fez votos de soluções compartilhadas para situações difíceis no Irã, no Líbano, na Guiné e em Madagascar, e se desculpou por não poder citar todos os países representados.
Concluindo, recordou que há tanto sofrimento na humanidade e o egoísmo humano danifica a criação de muitas maneiras. É por isso que a expectativa da salvação, que diz respeito a toda a Criação, aparece ainda mais intensa e está presente no coração de todos, crentes e ateus. Suas últimas palavras foram de esperança:
"Que a luz e a força de Jesus nos ajudem a respeitar a ecologia humana, cientes de que esta beneficiará a ecologia ambiental, porque o livro da natureza é único e indivisível. Poderemos assim consolidar a paz para as gerações atuais e futuras." (BF/CM)
Fonta Rádio Vaticana
Nota: O mundo está bebendo do vinho de sua prostituição. Foram 178 países, ouvindo BXVI clamar por um acordo climática para proteger o planeta da destruição iminente. Ele (BXVI) afirma que preservar a natureza é uma exigência moral, sabemos que o código moral da igreja CAR é os seus dez mandamentos, muitas vezes chamado de lei natural. Mandamentos esses, adulterados pela própria igreja como sinal de autoridade. Pois eles afirmam que o Pontífice Máximo (O Papa) é o representante de Cristo nesta terra, se alto proclamando como a pedra fundamental da igreja, conceito este tirado da conversa entre Cristo e Pedro. Cristo jamais afirmou que Pedro era a Pedra, Jesus se referia a Ele mesmo; o próprio Pedro entendeu, pois afirmou que Pedra era Cristo (At. 4:11; I Pe. 2:4-8). Paulo também afirmou categoricamente que Jesus é a Pedra (I Co. 10:4; Ef. 2:20). Pedro nunca foi o papa da Igreja, pelo contrário, o principal líder da Igreja Apóstolica foi Tiago (Gál. 2:9), perceba que Tiago é citado como a primeira coluna, depois dele é que vem Pedro e, logo depois, João.
11 janeiro 2010
Papa pede «cultura intelectual genuinamente católica»
Bento XVI recordou viagem aos Estados Unidos da América
Bento XVI pediu que a Igreja dos EUA seja capaz de “cultivar uma cultura intelectual genuinamente católica, confiante na harmonia profunda entre fé e razão, e preparada para levar a riqueza da visão da fé no contacto com as questões urgentes que concernem ao futuro da sociedade americana”.
O Papa recebeu esta manhã, em audiência, os superiores, alunos e ex-alunos do Pontifício Colégio Norte-americano, por ocasião dos 150 de sua fundação.
No discurso aos cerca de 550 presentes, Bento XVI recordou a sua viagem apostólica aos EUA, realizada em Abril de 2008, e louvou o compromisso do Colégio que, passados 150 anos de sua fundação, continua a formar “pastores sábios e generosos".
O Papa recordou que foi Pio IX quem quis, em 1859, a fundação do Pontifício Colégio Norte-americano, e reiterou que, à distância de um século e meio de sua instituição, o Colégio “permaneceu fiel à sua visão de fundação”, ou seja, “formar louváveis pregadores do Evangelho e ministros dos sacramentos, devotos ao Sucessor de Pedro e comprometidos com a construção da Igreja nos EUA”.
O encontro é também uma oportunidade, focou o Papa, para o Colégio, “reafirmar a afeição filial à Igreja de Roma, para recordar o trabalho apostólico realizado por numerosos alunos e para comprometer-se novamente com os altos ideais da santidade, da fidelidade e do zelo pastoral”.
Bento XVI focou a “excepcional experiência da universalidade da Igreja, a vastidão da sua tradição intelectual e espiritual, a sua missão de levar a verdade salvífica de Cristo a todos os espaços e a todos os lugares” que o Colégio, desde a sua fundação, ofereceu aos seus estudantes.
Fonte Agência Ecclesia
Nota: O que mais poderia significar este apelo a não ser o fato de que Bento XVI está pedindo aos EUA inaltecer a doutrina católica? A profecia parece está caminhando para seu desfecho. (Apocalipse 13).
Bento XVI pediu que a Igreja dos EUA seja capaz de “cultivar uma cultura intelectual genuinamente católica, confiante na harmonia profunda entre fé e razão, e preparada para levar a riqueza da visão da fé no contacto com as questões urgentes que concernem ao futuro da sociedade americana”.
O Papa recebeu esta manhã, em audiência, os superiores, alunos e ex-alunos do Pontifício Colégio Norte-americano, por ocasião dos 150 de sua fundação.
No discurso aos cerca de 550 presentes, Bento XVI recordou a sua viagem apostólica aos EUA, realizada em Abril de 2008, e louvou o compromisso do Colégio que, passados 150 anos de sua fundação, continua a formar “pastores sábios e generosos".
O Papa recordou que foi Pio IX quem quis, em 1859, a fundação do Pontifício Colégio Norte-americano, e reiterou que, à distância de um século e meio de sua instituição, o Colégio “permaneceu fiel à sua visão de fundação”, ou seja, “formar louváveis pregadores do Evangelho e ministros dos sacramentos, devotos ao Sucessor de Pedro e comprometidos com a construção da Igreja nos EUA”.
O encontro é também uma oportunidade, focou o Papa, para o Colégio, “reafirmar a afeição filial à Igreja de Roma, para recordar o trabalho apostólico realizado por numerosos alunos e para comprometer-se novamente com os altos ideais da santidade, da fidelidade e do zelo pastoral”.
Bento XVI focou a “excepcional experiência da universalidade da Igreja, a vastidão da sua tradição intelectual e espiritual, a sua missão de levar a verdade salvífica de Cristo a todos os espaços e a todos os lugares” que o Colégio, desde a sua fundação, ofereceu aos seus estudantes.
Fonte Agência Ecclesia
Nota: O que mais poderia significar este apelo a não ser o fato de que Bento XVI está pedindo aos EUA inaltecer a doutrina católica? A profecia parece está caminhando para seu desfecho. (Apocalipse 13).
01 janeiro 2010
2009: O ano de Bento XVI
O quinto ano de pontificado de Bento XVI foi cheio de acontecimentos e momentos significativos, que fazem dele o mais marcante desde a eleição papal.
O Papa emergiu como uma figura de referência num cenário de crise, não propriamente por causa de qualquer receita específica para restaurar a regulação nas relações entre o trabalho e o capital ou entre as questões financeiras e as necessidades das famílias e empresas, mas porque para lá das teorias e práticas económicas, apresentou um conjunto de exigências éticas essenciais para superar o actual estado de coisas, num horizonte aberto à esperança e à confiança.
Logo no início do ano, perante diplomatas de todo o mundo, Bento XVI defende que “é preciso voltar a dar esperança aos pobres”.
“Como não pensar em tantas pessoas e famílias provadas pelas dificuldades e incertezas que a actual crise financeira e económica causou em escala mundial? Como não recordar a crise alimentar e o aquecimento climático, que tornam ainda mais difícil o acesso à alimentação e à água para os habitantes das regiões mais pobres do planeta?”, questionava, logo a 8 de Janeiro, abordando assim as principais questões que o iriam preocupar durante 2009.
Esta preocupação viria a dominar a encíclica Caritas in veritate, o documento mais forte do pontificado e aquele que mereceu um olhar mais atento, sobretudo por parte de quem não se identifica tanto com a Igreja Católica e a sua hierarquia. No dia seguinte à publicação da encíclica, perante milhares de peregrinos, o Papa deixava clara a sua preocupação de fundo: “Um futuro melhor para todos é possível, se for fundado na redescoberta dos valores éticos fundamentais”.
Ao longo do ano, praticamente todas as crises internacionais mereceram, por parte de Bento XVI, um apelo em favor da paz, da reconciliação e do diálogo. O mesmo aconteceu em várias situações de catástrofe natural ou humana.
Entre os documentos publicados por Bento XVI, para além da sua terceira encíclica, a atenção centrou-se na carta que revogou a excomunhão de quatro Bispos lefebvrianos, em Janeiro, e na Constituição Apostólica publicada no passado dia 9 de Novembro, que apresentava normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica, assim que os mesmos o solicitem. A convocação do Ano Sacerdotal, que a Igreja ainda se encontra a celebrar, para “fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo”, foi também uma iniciativa papal que ficará para a história do ano.
Outro momento alto foi o encontro com artistas de todo o mundo, no Vaticano, a 21 de Novembro, confirmando uma atenção particular do Papa em relação a esta área específica. Dias antes, numa audiência geral, Bento XVI falava no “caminho da beleza” como “um percurso privilegiado e fascinante para se aproximar do Mistério de Deus”. Junto dos artistas, o Papa quis voltar a falar da necessidade de “entusiasmo e confiança”, no actual cenário de crise, perguntando: “O que pode encorajar o ânimo humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar para o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua vocação, a não ser a beleza?”. O tema da beleza concluiria a visita papal à República Checa, uma semana depois, com Bento XVI a usar uma citação atribuída a Kafka - “Quem tem a capacidade de ver a beleza, não envelhece” – para apelar à capacidade de “construir um mundo que reflicta algo da beleza divina”.
Diversas intervenções, culminadas na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010, serviram ainda para reforçar a imagem de “Papa verde”, preocupado em lançar na agenda eclesial e mundial as questões da defesa do ambiente, sempre em ligação com o desenvolvimento integral dos seres humanos.
Festa africana
A primeira viagem de Bento XVI a África teve escalas nas capitais dos Camarões e de Angola, sempre com vista para todo o Continente. Milhares de quilómetros e milhões de pessoas depois, o Papa poderá rever com um sentimento de satisfação os dias de uma festa africana.
Vários apelos e mensagens com olhar para o futuro marcam esta visita de sete dias, de 17 a 23 de Março, durante os quais o Papa abordou um longo conjunto de temas: guerras civis, pobreza, tribalismo e rivalidades étnicas, má governação, corrupção e violação de direitos humanos, desigualdade entre sexos e marginalização das mulheres, práticas desumanas e exploração dos recursos naturais por uma globalização injusta.
Logo à chegada, Bento XVI lembrou que “África sofre desmesuradamente: um número crescente de seus habitantes acaba prisioneiro da fome, da pobreza e da doença”.
As intervenções papais em território camaronês tiveram sempre uma perspectiva aberta sobre todo o Continente, particularmente visível na entrega solene do documento que orientou os trabalhos da II Assembleia Especial do Sínodo para a África, em Outubro.
Em Luanda, o Papa pediu aos peregrinos que não se rendessem "à lei do mais forte, porque Deus concedeu aos homens asas para voar sobre os seus defeitos e limitações", recordando que, em Angola, ainda há "tantos pobres que reclamam pelo respeito dos seus direitos".
Terra Santa: Viagem política, peregrinação espiritual
De 8 a 15 de Maio, Bento XVI cumpriu uma viagem de oito dias à Terra Santa, que começou na Jordânia e incluiu uma passagem nos territórios palestinos, em Belém, antes de se concluir em Israel.
O Papa chamou as atenções do mundo para a situação dos cristãos na região e destacou-se pelas suas tomadas de posição em relação ao conflito israelo-palestino, defendendo de forma inequívoca a criação de um Estado independente na Palestina e a necessidade de um reconhecimento universal do Estado de Israel, condenando todas as manifestações de violência, fanatismo ou anti-semitismo.
Síntese perfeita da viagem são as palavras proferidas na hora de regressar ao Vaticano: “Basta de derramamento de sangue! Basta de confrontos! Basta de terrorismo! Basta de guerra! Interrompamos o círculo vicioso da violência. Que se possa instaurar uma paz estável baseada na justiça, haja verdadeira reconciliação e restabelecimento. Seja universalmente reconhecido que o Estado de Israel tem o direito de existir e de gozar de paz e de segurança dentro de confins internacionalmente reconhecidos. Seja igualmente reconhecido que o Povo Palestino tem o direito a uma pátria independente e soberana, de viver com dignidade e de viajar livremente”.
Sob a sombra da viagem de João Paulo II em 2000, o actual Papa soube deixar para a história vários gestos, palavras e imagens, desta vez não tanto junto do Muro das Lamentações, mas no muro da Cisjordânia, que dominou a visita de Bento XVI a Belém - símbolo, como o próprio reconheceu, do impasse das negociações entre israelitas e palestinos, perante a impotência da comunidade internacional.
Outros momentos marcantes foram a evocação das grandes religiões monoteístas no Monte Nebo (Jordânia) ou na Mesquita de Amã, o encontro no Yad Vashem - com uma clara condenação do Holocausto e de quantos o negam - e a viagem entre a Mesquita da Cúpula da Rocha o Muro das Lamentações, em Jerusalém.
A visita do Papa também foi um claro estímulo para a comunidade cristã – cujo estatuto social, político e económico tem sido cada vez mais afectado -, que ao longo das últimas décadas tem emigrado em massa da Terra Santa, colocando mesmo em risco a preservação dos Lugares Santos paras as várias Igrejas.
Guia Social
Bento XVI apresentou no dia 7 de Julho a sua terceira encíclica, Caritas in veritate (A caridade na verdade), um texto de 79 pontos, em que se mostra a um mundo ainda abalado pela crise financeira um conjunto de orientações para o mundo económico e exigências de solidariedade. Lembrar os pobres e os mais desprotegidos no tempo da globalização é o fio condutor do documento, que procura apresentar caminhos para o "verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade".
O Papa repete a palavra "caridade", que dava o mote à sua primeira encíclica abordando desta feita matérias ligadas ao mundo do trabalho, da economia e do desenvolvimento. Na abertura da encíclica refere-se que há um contexto social e cultural que "relativiza a verdade" e provoca um "esvaziamento" da caridade, o que pode fazer com que "a actividade social acabe à mercê de interesses privados e lógicas de poder".
Justiça e bem comum são apresentados como critérios orientadores para o agir, também dos cristãos, embora Bento XVI reafirme que a Igreja não tem soluções técnicas para apresentar, mas "uma missão de verdade para cumprir". "Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político", pode ler-se.
No fim do Comunismo
Bento XVI cumpriu de 26 a 28 de Setembro uma visita de três dias à República Checa, que o próprio classificou como “comovente”.
Logo na sua primeira intervenção, muito retomada pela imprensa internacional, o Papa acenou ao 20.º aniversário da “Revolução de veludo”, que marcou o fim do regime comunista, em que “a circulação de ideias e movimentos culturais era rigidamente controlada”. “Uno-me a vós e aos vossos vizinhos para dar graças pela vossa libertação daquele regime opressivo”, disse.
Na cerimónia de despedida, em Praga, o Papa recordou os momentos passados com a comunidade católica, referindo-se às raízes cristãs dos territórios eslavos, comprovadas por vários santos e mártires, apesar de o país ser hoje maioritariamente ateu e agnóstico.
Quando fez o habitual balanço do ano eclesial, a 22 de Dezembro, Bento XVI retomaria esta realidade checa para defender que “a Igreja deveria também hoje abrir uma espécie de «átrio dos gentios», onde os homens pudessem de qualquer modo agarrar-se a Deus, sem O conhecer e antes de terem encontrado o acesso ao seu mistério, a cujo serviço está a vida interna da Igreja”.
Sínodo
De 4 25 de Outubro, África tomou conta do Vaticano, na II assembleia especial do Sínodo dos Bispos para aquele continente que, 15 anos depois, voltou a reunir no Vaticano responsáveis eclesiais, especialistas e convidados para uma reflexão sobre o futuro africano, à luz dos temas da justiça e da reconciliação.
A mensagem final do encontro pede que a comunidade internacional trate o continente africano com “respeito” e altere as regras do jogo económico, com referência especial para a dívida externa.
Os participantes aprovaram 57 propostas nas quais pedem, entre outros, o fim dos conflitos armados e da pena de morte no continente africano. Uma das novidades apresentadas é a proposta de criação de um “fundo de solidariedade continental” para o combate à pobreza, que seria gerido pela Cáritas.
Das propostas sai também o apelo em favor de um tratado internacional sobre o comércio de armas e pela abolição das armas nucleares, biológicas ou de destruição em massa. No centro do documento estão temas como o diálogo inter-religioso, em especial com o Islão e as religiões tradicionais, a defesa do ambiente, a necessidade de democracia em toda a África – em especial face à “expansão” de sistemas despóticos e militares -, a defesa da família ou a atenção aos fenómenos migratórios.
Depois de três semanas de trabalhos, coube a Bento XVI encerrar o Sínodo, falando nos actuais problemas de África e a sua grande necessidade de reconciliação, de justiça e de paz. O Papa destacou as iniciativas da Igreja no campo social, para que “ninguém seja privado do necessário para viver e todos possam ter uma existência digna do ser humano”. Defendeu também que se impõe renovar o “modelo de desenvolvimento global”, para que nenhum povo dele fique excluído.
Casos
Uma tempestade mediática rodeou a visita de Bento XVI a África, com a polémica gerada pela posição do Papa a respeito do uso do preservativo – “não se pode superar este problema da SIDA só com dinheiro, mesmo se necessário; mas, se não há a alma, se os africanos não ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), não se pode superá-lo com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema”, em que surgiram mesmo posições públicas que defendiam o silenciamento do Papa.
Apesar do desgaste provocado por esta polémica, terá sido o caso da remissão da excomunhão aos quatros consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, em Janeiro deste ano, que mais incomodou o Papa.
De facto, na carta enviada em Março aos Bispos da Igreja Católica a propósito desta questão, aparecia um Bento XVI preocupado e mesmo magoado ao constatar feridas antigas, falta de paz e inclusive hostilidade para com o Papa. "Fiquei triste pelo facto de inclusive católicos - que no fundo, poderiam saber melhor como tudo se desenrola - se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste”, escreve.
As relações com os judeus foram postas à prova de novo em Dezembro, com a publicação do decreto que reconhece como venerável o Papa Pio XII, que liderou a Igreja Católica durante a II Guerra Mundial. O Vaticano lembrou, a este respeito, que “as disposições de grande amizade e respeito do Papa Bento XVI em relação ao povo judaico já foram testemunhadas muitíssimas vezes e encontram no seu próprio trabalho teológico um testemunho incontestável”.
Num ano em que fracturou o braço durante o Verão, nos Alpes, o Papa voltaria a cair na Noite de Natal, abalroado por Susanna Maiolo, em plena Basílica de São Pedro.
Momentos
Janeiro
8 – Encontro com o do Corpo diplomático. Bento XVI lembra crise económica, pobreza, terrorismo, catástrofes naturais e violência crescente contra os cristãos
18 - Bento XVI envia videomensagem para o encerramento do VI Encontro Mundial das Famílias, na Cidade do México
20 - O Papa pediu a Barack Obama que contribua para o “entendimento, cooperação e paz entre as nações”. Bento XVI endereçou um telegrama ao novo Presidente dos Estados Unidos da América no dia da sua tomada de posse
24 - Bento XVI anula a excomunhão a quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consagrados por D. Marcel Lefebrvre em 1988. No dia 28, o Papa reafirma a sua condenação do Holocausto
25 – O Papa destaca a importância das novas tecnologias, em particular a Internet, salientando a criação de um canal de vídeo do Vaticano no YouTube
31 - Bento XVI nomeia o Dominicano português Francolino Gonçalves, investigador da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, como membro da Comissão Bíblica Pontifícia
Fevereiro
4 - Secretaria de Estado do Vaticano exige que o Bispo Richard Williamson se retracte das suas posições negacionistas
12 – O Papa anuncia viagem à Terra Santa. No dia 16, o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, confirma a visita de Bento XVI a Israel, considerando-a “importante”
19 - Bento XVI recebe o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, num encontro dominado pela crise financeira internacional e a ajuda aos países menos desenvolvidos
20 – O Papa recebe os membros do Fundo Internacional para o desenvolvimento agrícola (IFAD), das Nações Unidas, defendendo a necessidade de promover novas estratégias para combater a “pobreza rural” e promover o desenvolvimento junto destas populações
26 - Bento XVI anuncia que está a preparar uma encíclica sobre a crise económica e os problemas sociais, durante o tradicional encontro na Quaresma com os sacerdotes da diocese de Roma
28 – O Papa nomeia como novo presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes o Arcebispo italiano Antonio Maria Veglió
Março
2 – O Papa encerra polémica sobre Bispo Auxiliar para Linz, dispensando o padre austríaco Gerhard Wagner de “aceitar o ofício” para o qual tinha sido nomeado
3 - Bento XVI escreve aos jovens de todo o mundo, por ocasião da celebração do Dia Mundial da Juventude, alertando para as “falsas quimeras” do dinheiro, da carreira e do sucesso
6 - Conclui-se no Vaticano a Conferência Internacional sobre o tema «Evolução Biológica: factos e teorias. Uma avaliação crítica 150 anos depois de “A origem das espécies”»
11 - Bento XVI manifesta a sua “profunda dor” perante o regresso dos atentados à Irlanda do Norte
12 – Numa carta aos Bispos de todo o mundo, Bento XVI lançou um duro ataque aos que criticaram a sua decisão de revogar a excomunhão de quatro Bispos, consagrados no ano de 1988 pelo Arcebispo Lefebvre sem mandato da Santa Sé, lamentando em especial que o seu gesto tenha sido obscurecido pela polémica em torno posições negacionistas de D. Richard Williamson sobre o Holocausto
16 - Bento XVI anuncia a convocação de um “ano sacerdotal” especial
17 a 23 –Viagem a África, com passagem por Camarões e Angola – Dossier AE
Abril
1 – Bento XVI envia uma mensagem ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown, em vésperas da Cimeira do G20. O Papa defende a necessidade de “coordenar os esforços entre governos e organizações internacionais para sair da crise global, sem recorrer a nacionalismos ou proteccionismos”
6 - O Papa manifesta a sua “consternação” perante as trágicas consequências do sismo que abalou o centro de Itália e que provocou mais de 100 mortos, incluindo várias crianças
26 – Canonização de cinco novos Santos, entre os quais S. Nuno de Santa Maria
28 - Bento XVI desloca-se à região italiana de Abruzzo para se encontrar com a população vítima do terramoto
Maio
8 a 15 – Viagem à Jordânia, Israel e territórios palestinos. Dossier AE
24 - Bento XVI visita a abadia beneditina de Montecassino, na Itália, assinalando no local o dia de oração pela Igreja na China
Junho
5 – O Papa reúne-se com responsáveis da Igreja Católica na Irlanda para discutir o escândalo dos abusos sexuais que atingiu diversas instituições religiosas no país
8- Bento XVI altera alguns processos ligados à demissão do estado clerical, no caso dos sacerdotes que abandonam o ministério para viver com uma mulher ou casar civilmente, em muitos casos sem avisar o seu bispo
16 – Carta para a proclamação do Ano Sacerdotal
19 - Bento XVI condena os "pecados dos pastores" da Igreja e pediu fidelidade aos que foram consagrados neste ministério, na abertura do Ano Sacerdotal, por ele convocado no 150.º aniversário do Santo Cura d'Ars, João Maria Vianney
21 - Visita Pastoral a San Giovanni Rotondo (Itália), onde se encontra sepultado S. Pio de Pietrelcina (1887-1968). O Papa alertou padres, religiosos, religiosas e leigos para os riscos do activismo, em detrimento de uma vida de oração, apelando ao exemplo do Padre Pio
28 - Bento XVI encerra o Ano Paulino, na Basílica de São Paulo fora de muros, deixando duras críticas à "moda" que considera que uma "fé adulta" implica não dar ouvidos "à Igreja e os seus pastores"
Julho
3 - Bento XVI nomeia o Arcebispo português Manuel Monteiro de Castro como novo Secretário da Congregação para os Bispos, na Cúria Romana
4 – Numa carta escrita a Sílvio Berlusconi, Bento XVI apela ao G8 que intensifique a ajuda ao desenvolvimento dos países africanos e os países mais pobres e a colocar a ética nas medidas anti-crise
7 – Publicação da Encílica Caritas in veritate. Dossier AE
8 – Publicação do Motu Proprio que reformula a Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, encarregue do diálogo com a Fraternidade São Pio X. A presidência deste organismo é assumida pelo Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé
10 – Bento XVI recebe pela primeira vez no Vaticano o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama. No centro do encontro estiveram os temas da "política internacional", à luz dos resultados da cimeira do G8
13 – O Papa chega à localidade de Les Combes de Introd, nos Alpes italianos, para um período de férias que decorre até 29 de Julho
17 – Bento XVI fractura o punho direito, depois de ter caído na casa onde passa alguns dias de descanso
Agosto
3 – O Papa envia um telegrama ao Bispo de Faisalabad, no Paquistão, condenando os “ataques sem sentido” contra os cristãos no país
9 - Bento XVI lembra os mártires cristãos e as vítimas do regime nazi, durante a II Guerra Mundial
12 – O Papa recorda as vítimas dos desastres naturais que provocaram várias mortes em localidades da China, Filipinas, Japão e Taiwan
28 a 30 – A missão e o diálogo com as religiões e culturas são os temas do encontro que Bento XVI mantém com os seus antigos alunos, o chamado «círculo Ratzinger»
Setembro
2 - Bento XVI recorda o 70.º aniversário do início da II Guerra Mundial, pedindo paz e reconciliação para a Europa
6 - Visita Pastoral a Bagnoregio e Viterbo (Itália), chamada a “cidade dos Papas”. Bento XVI faz um apelo às religiões de todo o mundo, para que contribuam na construção da paz
19 - O Papa anuncia a convocação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, que se realizará de 10 a 24 de Outubro de 2010. O encontro reflectirá sobre o tema “A Igreja Católica no Médio Oriente: comunhão e testemunho”
24 – Anúncio oficial da visita de Bento XVI a Portugal, em Maio de 2010. Dossier AE
26 a 28 – Viagem à República Checa. Dossier AE
29 – O Vaticano anuncia que o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais terá como tema “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios a serviço da Palavra”
Outubro
4 a 25 de Outubro – II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. Dossier AE
4 – Bento XVI recorda milhares de pessoas que foram vítimas das catástrofes naturais que ocorreram no Pacífico e no sudeste asiático
11 – Canonização de cinco novos Santos
24 - Bento XVI nomeia o Cardeal Peter Turkson, do Gana, como novo presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz
29 – O Papa deixa votos de que exista no Irão uma “abertura crescente e uma colaboração confiante” com a comunidade internacional
Novembro
8 - Visita Pastoral a Brescia e Concesio (Itália), locais do nascimento e início da vida de Giovanni Battista Montini, que viria a ser o Papa Paulo VI. Bento XVI pede que a Igreja seja “pobre e livre” para poder falar ao homem de hoje
9 – Publicação da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, que apresenta as normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica, assim que os mesmos o solicitem
10 – Apresentação à imprensa do CD “Alma Mater”, com as orações e reflexões sobre a Virgem Maria que o Papa apresentou no Vaticano e nas suas peregrinações por todo o mundo
16 - Na Cimeira Mundial da Alimentação, Bento XVI lança um apelo em favor do acesso “regular e adequado” à alimentação e à água de todas as pessoas do mundo, condenando a “especulação” que chegou ao mercado dos cereais
21 - Bento XVI encontra-se com cerca de duas centenas e meia de artistas de todo o mundo, a quem pediu que sejam “testemunhas de esperança para a humanidade”.
26 – O Papa destaca as descobertas de Galileu numa mensagem escrita por ocasião do congresso “Do telescópio de Galileu à cosmologia evolutiva. Ciência, filosofia e teologia em diálogo”, que se realizou em Roma
27 - Os migrantes e refugiados menores de idade são o tema escolhido por Bento XVI para a sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que a Igreja Católica celebrará a 17 de Janeiro de 2010
Dezembro
4 - Vaticano e Rússia estabelecem relações diplomáticas ao nível de embaixador e núncio apostólico
7 - Bento XVI destaca a necessidade de uma acção concertada da comunidade internacional para fazer face ao fenómeno do "aquecimento global", sem prejudicar as populações mais pobres nesse esforço
11 – O Papa mostra-se “profundamente entristecido e afectado” pelos casos de abusos sobre menores que envolveram clero da Arquidiocese de Dublin, na Irlanda
15 - Bento XVI dedica a sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010 (1 de Janeiro) à defesa do ambiente, falando numa "crise ecológica" e apelando à comunidade internacional para que tome medidas que travem as alterações climáticas
15 - Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio Omnium in mentem, com a qual são modificadas algumas normas do Código de Direito Canónico
17 – A Santa Sé anuncia a “demissão do Estado clerical” do antigo Arcebispo de Lusaka, Emmanuel Milingo, que já em 2006 fora excomungado com os quatro sacerdotes casados que ordenara como bispos
19 – O Papa aprova a publicação dos decretos que reconhecem as “virtudes heróicas” de Eugénio Pacelli e de Karol Wojtyla - os Papas Pio XII e João Paulo II - primeiro passo em direcção à beatificação
21 - Bento XVI apresenta um balanço do ano eclesial em 2009, destacando em particular as suas viagens a África e à Terra Santa e a realização do Sínodo dos Bispos
24 – Antes da Missa do Galo, uma mulher derruba o Papa na Basílica de São Pedro. Apesar do aparato, a cerimónia da noite de Natal prosseguiu conforme o previsto
25 – Na sua mensagem Urbi et Orbi, Bento XVI lembra as vítimas da violência, num olhar sobre os vários conflitos que afectam a humanidade de hoje, “profundamente marcada por uma grave crise, certamente económica - mas antes ainda moral - e por dolorosas feridas de guerras”
27 – O Papa defende a família “fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher”, considerando que a mesma é de “suma importância para o presente e o futuro da humanidade”. Bento XVI almoça com 150 pobres na comunidade de Santo Egídio.
29 - A Fides, agência do Vaticano para o mundo missionário, revelou que 37 agentes pastorais foram assassinados em 2009. O número é praticamente o dobro em relação a 2008 (20) e o mais alto na última década
Fonte Agência Ecclesia
Nota: E a ferida se mostra curada a cada ano. João Paulo II fez um grande papel para que isso acontece e, agora, Bento XVI parece dá continuidade.
O Papa emergiu como uma figura de referência num cenário de crise, não propriamente por causa de qualquer receita específica para restaurar a regulação nas relações entre o trabalho e o capital ou entre as questões financeiras e as necessidades das famílias e empresas, mas porque para lá das teorias e práticas económicas, apresentou um conjunto de exigências éticas essenciais para superar o actual estado de coisas, num horizonte aberto à esperança e à confiança.
Logo no início do ano, perante diplomatas de todo o mundo, Bento XVI defende que “é preciso voltar a dar esperança aos pobres”.
“Como não pensar em tantas pessoas e famílias provadas pelas dificuldades e incertezas que a actual crise financeira e económica causou em escala mundial? Como não recordar a crise alimentar e o aquecimento climático, que tornam ainda mais difícil o acesso à alimentação e à água para os habitantes das regiões mais pobres do planeta?”, questionava, logo a 8 de Janeiro, abordando assim as principais questões que o iriam preocupar durante 2009.
Esta preocupação viria a dominar a encíclica Caritas in veritate, o documento mais forte do pontificado e aquele que mereceu um olhar mais atento, sobretudo por parte de quem não se identifica tanto com a Igreja Católica e a sua hierarquia. No dia seguinte à publicação da encíclica, perante milhares de peregrinos, o Papa deixava clara a sua preocupação de fundo: “Um futuro melhor para todos é possível, se for fundado na redescoberta dos valores éticos fundamentais”.
Ao longo do ano, praticamente todas as crises internacionais mereceram, por parte de Bento XVI, um apelo em favor da paz, da reconciliação e do diálogo. O mesmo aconteceu em várias situações de catástrofe natural ou humana.
Entre os documentos publicados por Bento XVI, para além da sua terceira encíclica, a atenção centrou-se na carta que revogou a excomunhão de quatro Bispos lefebvrianos, em Janeiro, e na Constituição Apostólica publicada no passado dia 9 de Novembro, que apresentava normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica, assim que os mesmos o solicitem. A convocação do Ano Sacerdotal, que a Igreja ainda se encontra a celebrar, para “fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo”, foi também uma iniciativa papal que ficará para a história do ano.
Outro momento alto foi o encontro com artistas de todo o mundo, no Vaticano, a 21 de Novembro, confirmando uma atenção particular do Papa em relação a esta área específica. Dias antes, numa audiência geral, Bento XVI falava no “caminho da beleza” como “um percurso privilegiado e fascinante para se aproximar do Mistério de Deus”. Junto dos artistas, o Papa quis voltar a falar da necessidade de “entusiasmo e confiança”, no actual cenário de crise, perguntando: “O que pode encorajar o ânimo humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar para o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua vocação, a não ser a beleza?”. O tema da beleza concluiria a visita papal à República Checa, uma semana depois, com Bento XVI a usar uma citação atribuída a Kafka - “Quem tem a capacidade de ver a beleza, não envelhece” – para apelar à capacidade de “construir um mundo que reflicta algo da beleza divina”.
Diversas intervenções, culminadas na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010, serviram ainda para reforçar a imagem de “Papa verde”, preocupado em lançar na agenda eclesial e mundial as questões da defesa do ambiente, sempre em ligação com o desenvolvimento integral dos seres humanos.
Festa africana
A primeira viagem de Bento XVI a África teve escalas nas capitais dos Camarões e de Angola, sempre com vista para todo o Continente. Milhares de quilómetros e milhões de pessoas depois, o Papa poderá rever com um sentimento de satisfação os dias de uma festa africana.
Vários apelos e mensagens com olhar para o futuro marcam esta visita de sete dias, de 17 a 23 de Março, durante os quais o Papa abordou um longo conjunto de temas: guerras civis, pobreza, tribalismo e rivalidades étnicas, má governação, corrupção e violação de direitos humanos, desigualdade entre sexos e marginalização das mulheres, práticas desumanas e exploração dos recursos naturais por uma globalização injusta.
Logo à chegada, Bento XVI lembrou que “África sofre desmesuradamente: um número crescente de seus habitantes acaba prisioneiro da fome, da pobreza e da doença”.
As intervenções papais em território camaronês tiveram sempre uma perspectiva aberta sobre todo o Continente, particularmente visível na entrega solene do documento que orientou os trabalhos da II Assembleia Especial do Sínodo para a África, em Outubro.
Em Luanda, o Papa pediu aos peregrinos que não se rendessem "à lei do mais forte, porque Deus concedeu aos homens asas para voar sobre os seus defeitos e limitações", recordando que, em Angola, ainda há "tantos pobres que reclamam pelo respeito dos seus direitos".
Terra Santa: Viagem política, peregrinação espiritual
De 8 a 15 de Maio, Bento XVI cumpriu uma viagem de oito dias à Terra Santa, que começou na Jordânia e incluiu uma passagem nos territórios palestinos, em Belém, antes de se concluir em Israel.
O Papa chamou as atenções do mundo para a situação dos cristãos na região e destacou-se pelas suas tomadas de posição em relação ao conflito israelo-palestino, defendendo de forma inequívoca a criação de um Estado independente na Palestina e a necessidade de um reconhecimento universal do Estado de Israel, condenando todas as manifestações de violência, fanatismo ou anti-semitismo.
Síntese perfeita da viagem são as palavras proferidas na hora de regressar ao Vaticano: “Basta de derramamento de sangue! Basta de confrontos! Basta de terrorismo! Basta de guerra! Interrompamos o círculo vicioso da violência. Que se possa instaurar uma paz estável baseada na justiça, haja verdadeira reconciliação e restabelecimento. Seja universalmente reconhecido que o Estado de Israel tem o direito de existir e de gozar de paz e de segurança dentro de confins internacionalmente reconhecidos. Seja igualmente reconhecido que o Povo Palestino tem o direito a uma pátria independente e soberana, de viver com dignidade e de viajar livremente”.
Sob a sombra da viagem de João Paulo II em 2000, o actual Papa soube deixar para a história vários gestos, palavras e imagens, desta vez não tanto junto do Muro das Lamentações, mas no muro da Cisjordânia, que dominou a visita de Bento XVI a Belém - símbolo, como o próprio reconheceu, do impasse das negociações entre israelitas e palestinos, perante a impotência da comunidade internacional.
Outros momentos marcantes foram a evocação das grandes religiões monoteístas no Monte Nebo (Jordânia) ou na Mesquita de Amã, o encontro no Yad Vashem - com uma clara condenação do Holocausto e de quantos o negam - e a viagem entre a Mesquita da Cúpula da Rocha o Muro das Lamentações, em Jerusalém.
A visita do Papa também foi um claro estímulo para a comunidade cristã – cujo estatuto social, político e económico tem sido cada vez mais afectado -, que ao longo das últimas décadas tem emigrado em massa da Terra Santa, colocando mesmo em risco a preservação dos Lugares Santos paras as várias Igrejas.
Guia Social
Bento XVI apresentou no dia 7 de Julho a sua terceira encíclica, Caritas in veritate (A caridade na verdade), um texto de 79 pontos, em que se mostra a um mundo ainda abalado pela crise financeira um conjunto de orientações para o mundo económico e exigências de solidariedade. Lembrar os pobres e os mais desprotegidos no tempo da globalização é o fio condutor do documento, que procura apresentar caminhos para o "verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade".
O Papa repete a palavra "caridade", que dava o mote à sua primeira encíclica abordando desta feita matérias ligadas ao mundo do trabalho, da economia e do desenvolvimento. Na abertura da encíclica refere-se que há um contexto social e cultural que "relativiza a verdade" e provoca um "esvaziamento" da caridade, o que pode fazer com que "a actividade social acabe à mercê de interesses privados e lógicas de poder".
Justiça e bem comum são apresentados como critérios orientadores para o agir, também dos cristãos, embora Bento XVI reafirme que a Igreja não tem soluções técnicas para apresentar, mas "uma missão de verdade para cumprir". "Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político", pode ler-se.
No fim do Comunismo
Bento XVI cumpriu de 26 a 28 de Setembro uma visita de três dias à República Checa, que o próprio classificou como “comovente”.
Logo na sua primeira intervenção, muito retomada pela imprensa internacional, o Papa acenou ao 20.º aniversário da “Revolução de veludo”, que marcou o fim do regime comunista, em que “a circulação de ideias e movimentos culturais era rigidamente controlada”. “Uno-me a vós e aos vossos vizinhos para dar graças pela vossa libertação daquele regime opressivo”, disse.
Na cerimónia de despedida, em Praga, o Papa recordou os momentos passados com a comunidade católica, referindo-se às raízes cristãs dos territórios eslavos, comprovadas por vários santos e mártires, apesar de o país ser hoje maioritariamente ateu e agnóstico.
Quando fez o habitual balanço do ano eclesial, a 22 de Dezembro, Bento XVI retomaria esta realidade checa para defender que “a Igreja deveria também hoje abrir uma espécie de «átrio dos gentios», onde os homens pudessem de qualquer modo agarrar-se a Deus, sem O conhecer e antes de terem encontrado o acesso ao seu mistério, a cujo serviço está a vida interna da Igreja”.
Sínodo
De 4 25 de Outubro, África tomou conta do Vaticano, na II assembleia especial do Sínodo dos Bispos para aquele continente que, 15 anos depois, voltou a reunir no Vaticano responsáveis eclesiais, especialistas e convidados para uma reflexão sobre o futuro africano, à luz dos temas da justiça e da reconciliação.
A mensagem final do encontro pede que a comunidade internacional trate o continente africano com “respeito” e altere as regras do jogo económico, com referência especial para a dívida externa.
Os participantes aprovaram 57 propostas nas quais pedem, entre outros, o fim dos conflitos armados e da pena de morte no continente africano. Uma das novidades apresentadas é a proposta de criação de um “fundo de solidariedade continental” para o combate à pobreza, que seria gerido pela Cáritas.
Das propostas sai também o apelo em favor de um tratado internacional sobre o comércio de armas e pela abolição das armas nucleares, biológicas ou de destruição em massa. No centro do documento estão temas como o diálogo inter-religioso, em especial com o Islão e as religiões tradicionais, a defesa do ambiente, a necessidade de democracia em toda a África – em especial face à “expansão” de sistemas despóticos e militares -, a defesa da família ou a atenção aos fenómenos migratórios.
Depois de três semanas de trabalhos, coube a Bento XVI encerrar o Sínodo, falando nos actuais problemas de África e a sua grande necessidade de reconciliação, de justiça e de paz. O Papa destacou as iniciativas da Igreja no campo social, para que “ninguém seja privado do necessário para viver e todos possam ter uma existência digna do ser humano”. Defendeu também que se impõe renovar o “modelo de desenvolvimento global”, para que nenhum povo dele fique excluído.
Casos
Uma tempestade mediática rodeou a visita de Bento XVI a África, com a polémica gerada pela posição do Papa a respeito do uso do preservativo – “não se pode superar este problema da SIDA só com dinheiro, mesmo se necessário; mas, se não há a alma, se os africanos não ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), não se pode superá-lo com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema”, em que surgiram mesmo posições públicas que defendiam o silenciamento do Papa.
Apesar do desgaste provocado por esta polémica, terá sido o caso da remissão da excomunhão aos quatros consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, em Janeiro deste ano, que mais incomodou o Papa.
De facto, na carta enviada em Março aos Bispos da Igreja Católica a propósito desta questão, aparecia um Bento XVI preocupado e mesmo magoado ao constatar feridas antigas, falta de paz e inclusive hostilidade para com o Papa. "Fiquei triste pelo facto de inclusive católicos - que no fundo, poderiam saber melhor como tudo se desenrola - se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste”, escreve.
As relações com os judeus foram postas à prova de novo em Dezembro, com a publicação do decreto que reconhece como venerável o Papa Pio XII, que liderou a Igreja Católica durante a II Guerra Mundial. O Vaticano lembrou, a este respeito, que “as disposições de grande amizade e respeito do Papa Bento XVI em relação ao povo judaico já foram testemunhadas muitíssimas vezes e encontram no seu próprio trabalho teológico um testemunho incontestável”.
Num ano em que fracturou o braço durante o Verão, nos Alpes, o Papa voltaria a cair na Noite de Natal, abalroado por Susanna Maiolo, em plena Basílica de São Pedro.
Momentos
Janeiro
8 – Encontro com o do Corpo diplomático. Bento XVI lembra crise económica, pobreza, terrorismo, catástrofes naturais e violência crescente contra os cristãos
18 - Bento XVI envia videomensagem para o encerramento do VI Encontro Mundial das Famílias, na Cidade do México
20 - O Papa pediu a Barack Obama que contribua para o “entendimento, cooperação e paz entre as nações”. Bento XVI endereçou um telegrama ao novo Presidente dos Estados Unidos da América no dia da sua tomada de posse
24 - Bento XVI anula a excomunhão a quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consagrados por D. Marcel Lefebrvre em 1988. No dia 28, o Papa reafirma a sua condenação do Holocausto
25 – O Papa destaca a importância das novas tecnologias, em particular a Internet, salientando a criação de um canal de vídeo do Vaticano no YouTube
31 - Bento XVI nomeia o Dominicano português Francolino Gonçalves, investigador da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, como membro da Comissão Bíblica Pontifícia
Fevereiro
4 - Secretaria de Estado do Vaticano exige que o Bispo Richard Williamson se retracte das suas posições negacionistas
12 – O Papa anuncia viagem à Terra Santa. No dia 16, o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, confirma a visita de Bento XVI a Israel, considerando-a “importante”
19 - Bento XVI recebe o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, num encontro dominado pela crise financeira internacional e a ajuda aos países menos desenvolvidos
20 – O Papa recebe os membros do Fundo Internacional para o desenvolvimento agrícola (IFAD), das Nações Unidas, defendendo a necessidade de promover novas estratégias para combater a “pobreza rural” e promover o desenvolvimento junto destas populações
26 - Bento XVI anuncia que está a preparar uma encíclica sobre a crise económica e os problemas sociais, durante o tradicional encontro na Quaresma com os sacerdotes da diocese de Roma
28 – O Papa nomeia como novo presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes o Arcebispo italiano Antonio Maria Veglió
Março
2 – O Papa encerra polémica sobre Bispo Auxiliar para Linz, dispensando o padre austríaco Gerhard Wagner de “aceitar o ofício” para o qual tinha sido nomeado
3 - Bento XVI escreve aos jovens de todo o mundo, por ocasião da celebração do Dia Mundial da Juventude, alertando para as “falsas quimeras” do dinheiro, da carreira e do sucesso
6 - Conclui-se no Vaticano a Conferência Internacional sobre o tema «Evolução Biológica: factos e teorias. Uma avaliação crítica 150 anos depois de “A origem das espécies”»
11 - Bento XVI manifesta a sua “profunda dor” perante o regresso dos atentados à Irlanda do Norte
12 – Numa carta aos Bispos de todo o mundo, Bento XVI lançou um duro ataque aos que criticaram a sua decisão de revogar a excomunhão de quatro Bispos, consagrados no ano de 1988 pelo Arcebispo Lefebvre sem mandato da Santa Sé, lamentando em especial que o seu gesto tenha sido obscurecido pela polémica em torno posições negacionistas de D. Richard Williamson sobre o Holocausto
16 - Bento XVI anuncia a convocação de um “ano sacerdotal” especial
17 a 23 –Viagem a África, com passagem por Camarões e Angola – Dossier AE
Abril
1 – Bento XVI envia uma mensagem ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown, em vésperas da Cimeira do G20. O Papa defende a necessidade de “coordenar os esforços entre governos e organizações internacionais para sair da crise global, sem recorrer a nacionalismos ou proteccionismos”
6 - O Papa manifesta a sua “consternação” perante as trágicas consequências do sismo que abalou o centro de Itália e que provocou mais de 100 mortos, incluindo várias crianças
26 – Canonização de cinco novos Santos, entre os quais S. Nuno de Santa Maria
28 - Bento XVI desloca-se à região italiana de Abruzzo para se encontrar com a população vítima do terramoto
Maio
8 a 15 – Viagem à Jordânia, Israel e territórios palestinos. Dossier AE
24 - Bento XVI visita a abadia beneditina de Montecassino, na Itália, assinalando no local o dia de oração pela Igreja na China
Junho
5 – O Papa reúne-se com responsáveis da Igreja Católica na Irlanda para discutir o escândalo dos abusos sexuais que atingiu diversas instituições religiosas no país
8- Bento XVI altera alguns processos ligados à demissão do estado clerical, no caso dos sacerdotes que abandonam o ministério para viver com uma mulher ou casar civilmente, em muitos casos sem avisar o seu bispo
16 – Carta para a proclamação do Ano Sacerdotal
19 - Bento XVI condena os "pecados dos pastores" da Igreja e pediu fidelidade aos que foram consagrados neste ministério, na abertura do Ano Sacerdotal, por ele convocado no 150.º aniversário do Santo Cura d'Ars, João Maria Vianney
21 - Visita Pastoral a San Giovanni Rotondo (Itália), onde se encontra sepultado S. Pio de Pietrelcina (1887-1968). O Papa alertou padres, religiosos, religiosas e leigos para os riscos do activismo, em detrimento de uma vida de oração, apelando ao exemplo do Padre Pio
28 - Bento XVI encerra o Ano Paulino, na Basílica de São Paulo fora de muros, deixando duras críticas à "moda" que considera que uma "fé adulta" implica não dar ouvidos "à Igreja e os seus pastores"
Julho
3 - Bento XVI nomeia o Arcebispo português Manuel Monteiro de Castro como novo Secretário da Congregação para os Bispos, na Cúria Romana
4 – Numa carta escrita a Sílvio Berlusconi, Bento XVI apela ao G8 que intensifique a ajuda ao desenvolvimento dos países africanos e os países mais pobres e a colocar a ética nas medidas anti-crise
7 – Publicação da Encílica Caritas in veritate. Dossier AE
8 – Publicação do Motu Proprio que reformula a Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, encarregue do diálogo com a Fraternidade São Pio X. A presidência deste organismo é assumida pelo Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé
10 – Bento XVI recebe pela primeira vez no Vaticano o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama. No centro do encontro estiveram os temas da "política internacional", à luz dos resultados da cimeira do G8
13 – O Papa chega à localidade de Les Combes de Introd, nos Alpes italianos, para um período de férias que decorre até 29 de Julho
17 – Bento XVI fractura o punho direito, depois de ter caído na casa onde passa alguns dias de descanso
Agosto
3 – O Papa envia um telegrama ao Bispo de Faisalabad, no Paquistão, condenando os “ataques sem sentido” contra os cristãos no país
9 - Bento XVI lembra os mártires cristãos e as vítimas do regime nazi, durante a II Guerra Mundial
12 – O Papa recorda as vítimas dos desastres naturais que provocaram várias mortes em localidades da China, Filipinas, Japão e Taiwan
28 a 30 – A missão e o diálogo com as religiões e culturas são os temas do encontro que Bento XVI mantém com os seus antigos alunos, o chamado «círculo Ratzinger»
Setembro
2 - Bento XVI recorda o 70.º aniversário do início da II Guerra Mundial, pedindo paz e reconciliação para a Europa
6 - Visita Pastoral a Bagnoregio e Viterbo (Itália), chamada a “cidade dos Papas”. Bento XVI faz um apelo às religiões de todo o mundo, para que contribuam na construção da paz
19 - O Papa anuncia a convocação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, que se realizará de 10 a 24 de Outubro de 2010. O encontro reflectirá sobre o tema “A Igreja Católica no Médio Oriente: comunhão e testemunho”
24 – Anúncio oficial da visita de Bento XVI a Portugal, em Maio de 2010. Dossier AE
26 a 28 – Viagem à República Checa. Dossier AE
29 – O Vaticano anuncia que o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais terá como tema “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios a serviço da Palavra”
Outubro
4 a 25 de Outubro – II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. Dossier AE
4 – Bento XVI recorda milhares de pessoas que foram vítimas das catástrofes naturais que ocorreram no Pacífico e no sudeste asiático
11 – Canonização de cinco novos Santos
24 - Bento XVI nomeia o Cardeal Peter Turkson, do Gana, como novo presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz
29 – O Papa deixa votos de que exista no Irão uma “abertura crescente e uma colaboração confiante” com a comunidade internacional
Novembro
8 - Visita Pastoral a Brescia e Concesio (Itália), locais do nascimento e início da vida de Giovanni Battista Montini, que viria a ser o Papa Paulo VI. Bento XVI pede que a Igreja seja “pobre e livre” para poder falar ao homem de hoje
9 – Publicação da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, que apresenta as normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica, assim que os mesmos o solicitem
10 – Apresentação à imprensa do CD “Alma Mater”, com as orações e reflexões sobre a Virgem Maria que o Papa apresentou no Vaticano e nas suas peregrinações por todo o mundo
16 - Na Cimeira Mundial da Alimentação, Bento XVI lança um apelo em favor do acesso “regular e adequado” à alimentação e à água de todas as pessoas do mundo, condenando a “especulação” que chegou ao mercado dos cereais
21 - Bento XVI encontra-se com cerca de duas centenas e meia de artistas de todo o mundo, a quem pediu que sejam “testemunhas de esperança para a humanidade”.
26 – O Papa destaca as descobertas de Galileu numa mensagem escrita por ocasião do congresso “Do telescópio de Galileu à cosmologia evolutiva. Ciência, filosofia e teologia em diálogo”, que se realizou em Roma
27 - Os migrantes e refugiados menores de idade são o tema escolhido por Bento XVI para a sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que a Igreja Católica celebrará a 17 de Janeiro de 2010
Dezembro
4 - Vaticano e Rússia estabelecem relações diplomáticas ao nível de embaixador e núncio apostólico
7 - Bento XVI destaca a necessidade de uma acção concertada da comunidade internacional para fazer face ao fenómeno do "aquecimento global", sem prejudicar as populações mais pobres nesse esforço
11 – O Papa mostra-se “profundamente entristecido e afectado” pelos casos de abusos sobre menores que envolveram clero da Arquidiocese de Dublin, na Irlanda
15 - Bento XVI dedica a sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010 (1 de Janeiro) à defesa do ambiente, falando numa "crise ecológica" e apelando à comunidade internacional para que tome medidas que travem as alterações climáticas
15 - Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio Omnium in mentem, com a qual são modificadas algumas normas do Código de Direito Canónico
17 – A Santa Sé anuncia a “demissão do Estado clerical” do antigo Arcebispo de Lusaka, Emmanuel Milingo, que já em 2006 fora excomungado com os quatro sacerdotes casados que ordenara como bispos
19 – O Papa aprova a publicação dos decretos que reconhecem as “virtudes heróicas” de Eugénio Pacelli e de Karol Wojtyla - os Papas Pio XII e João Paulo II - primeiro passo em direcção à beatificação
21 - Bento XVI apresenta um balanço do ano eclesial em 2009, destacando em particular as suas viagens a África e à Terra Santa e a realização do Sínodo dos Bispos
24 – Antes da Missa do Galo, uma mulher derruba o Papa na Basílica de São Pedro. Apesar do aparato, a cerimónia da noite de Natal prosseguiu conforme o previsto
25 – Na sua mensagem Urbi et Orbi, Bento XVI lembra as vítimas da violência, num olhar sobre os vários conflitos que afectam a humanidade de hoje, “profundamente marcada por uma grave crise, certamente económica - mas antes ainda moral - e por dolorosas feridas de guerras”
27 – O Papa defende a família “fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher”, considerando que a mesma é de “suma importância para o presente e o futuro da humanidade”. Bento XVI almoça com 150 pobres na comunidade de Santo Egídio.
29 - A Fides, agência do Vaticano para o mundo missionário, revelou que 37 agentes pastorais foram assassinados em 2009. O número é praticamente o dobro em relação a 2008 (20) e o mais alto na última década
Fonte Agência Ecclesia
Nota: E a ferida se mostra curada a cada ano. João Paulo II fez um grande papel para que isso acontece e, agora, Bento XVI parece dá continuidade.
16 dezembro 2009
Bento XVI: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 15 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir a mensagem de Bento XVI com motivo do próximo Dia Mundial da Paz, que se celebra a 1 de janeiro de 2010, sobre o respeito da criação e a promoção da paz.
* * *
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2010
SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO
1. Por ocasião do início do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades cristãs, aos responsáveis das nações, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»[1]e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade. Com efeito, se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante – guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e violações dos direitos humanos –, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, é indispensável que a humanidade renove e reforce «aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho».[2]
2. Na encíclica Caritas in veritate, pus em realce que o desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gerações futuras. Assinalei também que corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano são considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo.[3] Pelo contrário, conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade ajuda-nos a compreender a vocação e o valor do homem; na realidade, cheios de admiração, podemos proclamar com o salmista: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?» (Sl 8, 4-5). Contemplar a beleza da criação é um estímulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que «move o sol e as outras estrelas».[4]
3. Há vinte anos, ao dedicar a Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema Paz com Deus criador, paz com toda a criação, o Papa João Paulo II chamava a atenção para a relação que nós, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. «Observa-se nos nossos dias – escrevia ele – uma consciência crescente de que a paz mundial está ameaçada (…) também pela falta do respeito devido à natureza». E acrescentava que esta consciência ecológica «não deve ser reprimida mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e vá amadurecendo até encontrar expressão adequada em programas e iniciativas concretas».[5] Já outros meus predecessores se referiram à relação existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasião do octogésimo aniversário da encíclica Rerum novarum deLeão XIII, Paulo VI houve por bem sublinhar que, «por motivo de uma exploração inconsiderada da natureza, [o homem] começa a correr o risco de a destruir e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação». E acrescentou que, deste modo, «não só o ambiente material se torna uma ameaça permanente – poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto – mas é o próprio contexto humano que o homem não consegue dominar, criando assim para o dia de amanhã um ambiente global que se lhe poderá tornar insuportável. Problema social de grande envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana».[6]
4. Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas específicas, a Igreja, «perita em humanidade», tem a peito chamar vigorosamente a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. Em 1990, João Paulo II falava de «crise ecológica» e, realçando o carácter prevalecentemente ético de que a mesma se revestia, indicava «a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade».[7] Hoje, com o proliferar de manifestações duma crise que seria irresponsável não tomar em séria consideração, tal apelo aparece ainda mais premente. Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais? Como descurar o fenómeno crescente dos chamados «prófugos ambientais», ou seja, pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada? Com não reagir perante os conflitos, já em acto ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de questões que têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento.
5. Entretanto tenha-se na devida conta que não se pode avaliar a crise ecológica prescindindo das questões relacionadas com ela, nomeadamente o próprio conceito de desenvolvimento e a visão do homem e das suas relações com os seus semelhantes e com a criação. Por isso, é decisão sensata realizar uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e também reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações. Exige-o o estado de saúde ecológica da terra; reclama-o também e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas há muito tempo que se manifestam por toda a parte.[8] A humanidade tem necessidade de uma profunda renovação cultural; precisa de redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situações de crise que está atravessando, de carácter económico, alimentar, ambiental ou social, no fundo são também crises morais e estão todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Impõem, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confiança e coragem nas experiências positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. É o único modo de fazer com que a crise actual se torne uma ocasião para discernimento e nova projectação.
6. Porventura não é verdade que, na origem daquela que em sentido cósmico chamamos «natureza», há «um desígnio de amor e de verdade»? O mundo «não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (…) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade».[9] Nas suas páginas iniciais, o livro do Génesis introduz-nos no projecto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus, que, no vértice, colocou o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança do Criador, para «encher e dominar a terra» como «administradores» em nome do próprio Deus (cf. Gn 1, 28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a criação foi quebrada pelo pecado de Adão e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequência, ficou deturpada também a tarefa de «dominar» a terra, de a «cultivar e guardar» e gerou-se um conflito entre eles e o resto da criação (cf. Gn 3, 17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do Génesis, não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade. Aliás, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza está à nossa disposição, mas não como «um monte de lixo espalhado ao acaso»,[10] enquanto a Revelação bíblica nos fez compreender que a natureza é dom do Criador, o Qual lhe traçou os ordenamentos intrínsecos a fim de que o homem pudesse deduzir deles as devidas orientações para a «cultivar e guardar» (cf. Gn 2, 15).[11] Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas não à sua arbitrária disposição. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza, «mais tiranizada que governada por ele».[12] O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a.[13]
7. Infelizmente temos de constatar que um grande número de pessoas, em vários países e regiões da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo responsável. O Concílio Ecuménico Vaticano II lembrou que «Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos».[14] Por isso, a herança da criação pertence à humanidade inteira. Entretanto o ritmo actual de exploração põe seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais não só para a geração actual, mas sobretudo para as gerações futuras.[15] Ora não é difícil constatar como a degradação ambiental é muitas vezes o resultado da falta de projectos políticos clarividentes ou da persecução de míopes interesses económicos, que se transformam, infelizmente, numa séria ameaça para a criação. Para contrastar tal fenómeno, na certeza de que «cada decisão económica tem consequências de carácter moral»,[16] é necessário também que a actividade económica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lança mão dos recursos naturais, é preciso preocupar-se com a sua preservação prevendo também os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da actividade económica. Compete à comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima é preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras.
8. Na realidade, é urgente a obtenção de uma leal solidariedade entre as gerações. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns não podem ficar a cargo das gerações futuras. «Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever. Trata-se de uma responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras, uma responsabilidade que pertence também a cada um dos Estados e à comunidade internacional».[17] O uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada não dificulte o destino universal dos bens;[18] que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã. Para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados: «A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro».[19] A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo. Com efeito, é importante reconhecer, entre as causas da crise ecológica actual, a responsabilidade histórica dos países industrializados. Contudo os países menos desenvolvidos e, de modo particular, os países emergentes não estão exonerados da sua própria responsabilidade para com a criação, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse cálculos menos interesseiros na assistência, na transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras.
9. Um dos nós principais a enfrentar pela comunidade internacional é, sem dúvida, o dos recursos energéticos, delineando estratégias compartilhadas e sustentáveis para satisfazer as necessidades de energia da geração actual e das gerações futuras. Para isso, é preciso que as sociedades tecnologicamente avançadas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia e melhorando as condições da sua utilização. Ao mesmo tempo é preciso promover a pesquisa e a aplicação de energias de menor impacto ambiental e a «redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso aos mesmos».[20] Deste modo, a crise ecológica oferece uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade. Faço votos, portanto, de que se adopte um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã.[21]
10. A fim de guiar a humanidade para uma gestão globalmente sustentável do ambiente e dos recursos da terra, o homem é chamado a concentrar a sua inteligência no campo da pesquisa científica e tecnológica e na aplicação das descobertas que daí derivam. A «nova solidariedade», que João Paulo II propôs na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990,[22] e a «solidariedade global», a que eu mesmo fiz apelo na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009,[23] apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da criação através de um sistema de gestão dos recursos da terra melhor coordenado a nível internacional, sobretudo no momento em que se vê aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que «o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade».[24] Muitas são hoje as oportunidades científicas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente. Por exemplo, é preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma atenção se deve prestar à questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. São precisas políticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necessário empenho internacional que há-de trazer importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo. Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos. A questão ecológica não deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degradação ambiental esboça no horizonte; o motivo principal há-de ser a busca duma autêntica solidariedade de dimensão mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum. Por outro lado, como já tive ocasião de recordar, a técnica «nunca é simplesmente técnica; mas manifesta o homem e as suas aspirações ao desenvolvimento, exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais. Assim, a técnica insere-se no mandato de “cultivar e guardar a terra” (cf. Gn 2, 15) que Deus confiou ao homem, e há-de ser orientada para reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus».[25]
11. É cada vez mais claro que o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico. Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem novos estilos de vida, «nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento».[26] Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de opções clarividentes a nível pessoal, familiar, comunitário e político. Todos somos responsáveis pela protecção e cuidado da criação. Tal responsabilidade não conhece fronteiras. Segundo o princípio de subsidiariedade, é importante que cada um, no nível que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibilização e formação compete de modo particular aos vários sujeitos da sociedade civil e às organizações não-governamentais, empenhados com determinação e generosidade na difusão de uma responsabilidade ecológica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela «ecologia humana». Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração. É que ocu-par-se do ambiente requer uma visão larga e global do mundo; um esforço comum e responsável a fim de passar de uma lógica centrada sobre o interesse egoísta da nação para uma visão que sempre abrace as necessidades de todos os povos. Não podemos permanecer indiferentes àquilo que sucede ao nosso redor, porque a deterioração de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As relações entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as relações entre homem e ambiente são chamadas a assumir o estilo do respeito e da «caridade na verdade». Neste contexto alargado, é altamente desejável que encontrem eficaz correspondência os esforços da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presença ameaça a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura.
12. A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo. Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, «quando a “ecologia humana”é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental».[27] Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social.[28] Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educação para uma responsabilidade ecológica, que, como indiquei na encíclica Caritas in veritate, salvaguarde uma autêntica «ecologia humana» e consequentemente afirme, com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza.[29] É preciso preservar o património humano da sociedade. Este património de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação.
13. Por fim não se deve esquecer o facto, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto directo com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós. Por outro lado, uma visão correcta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da «dignidade» de todos os seres vivos. Assim se dá entrada a um novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem. Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da «gramática» que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar mas também não pode abdicar. Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana.[30]
14. Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus «todas as criaturas, na terra e nos céus» (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados «novos céus e uma nova terra» (2 Pd 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador omnipotente e Pai misericordioso, a sua oração fervorosa, para que no coração de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação.
Fonte Zenit
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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2010
SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO
1. Por ocasião do início do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades cristãs, aos responsáveis das nações, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»[1]e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade. Com efeito, se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante – guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e violações dos direitos humanos –, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, é indispensável que a humanidade renove e reforce «aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho».[2]
2. Na encíclica Caritas in veritate, pus em realce que o desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gerações futuras. Assinalei também que corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano são considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo.[3] Pelo contrário, conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade ajuda-nos a compreender a vocação e o valor do homem; na realidade, cheios de admiração, podemos proclamar com o salmista: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?» (Sl 8, 4-5). Contemplar a beleza da criação é um estímulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que «move o sol e as outras estrelas».[4]
3. Há vinte anos, ao dedicar a Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema Paz com Deus criador, paz com toda a criação, o Papa João Paulo II chamava a atenção para a relação que nós, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. «Observa-se nos nossos dias – escrevia ele – uma consciência crescente de que a paz mundial está ameaçada (…) também pela falta do respeito devido à natureza». E acrescentava que esta consciência ecológica «não deve ser reprimida mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e vá amadurecendo até encontrar expressão adequada em programas e iniciativas concretas».[5] Já outros meus predecessores se referiram à relação existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasião do octogésimo aniversário da encíclica Rerum novarum deLeão XIII, Paulo VI houve por bem sublinhar que, «por motivo de uma exploração inconsiderada da natureza, [o homem] começa a correr o risco de a destruir e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação». E acrescentou que, deste modo, «não só o ambiente material se torna uma ameaça permanente – poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto – mas é o próprio contexto humano que o homem não consegue dominar, criando assim para o dia de amanhã um ambiente global que se lhe poderá tornar insuportável. Problema social de grande envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana».[6]
4. Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas específicas, a Igreja, «perita em humanidade», tem a peito chamar vigorosamente a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. Em 1990, João Paulo II falava de «crise ecológica» e, realçando o carácter prevalecentemente ético de que a mesma se revestia, indicava «a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade».[7] Hoje, com o proliferar de manifestações duma crise que seria irresponsável não tomar em séria consideração, tal apelo aparece ainda mais premente. Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais? Como descurar o fenómeno crescente dos chamados «prófugos ambientais», ou seja, pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada? Com não reagir perante os conflitos, já em acto ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de questões que têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento.
5. Entretanto tenha-se na devida conta que não se pode avaliar a crise ecológica prescindindo das questões relacionadas com ela, nomeadamente o próprio conceito de desenvolvimento e a visão do homem e das suas relações com os seus semelhantes e com a criação. Por isso, é decisão sensata realizar uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e também reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações. Exige-o o estado de saúde ecológica da terra; reclama-o também e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas há muito tempo que se manifestam por toda a parte.[8] A humanidade tem necessidade de uma profunda renovação cultural; precisa de redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situações de crise que está atravessando, de carácter económico, alimentar, ambiental ou social, no fundo são também crises morais e estão todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Impõem, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confiança e coragem nas experiências positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. É o único modo de fazer com que a crise actual se torne uma ocasião para discernimento e nova projectação.
6. Porventura não é verdade que, na origem daquela que em sentido cósmico chamamos «natureza», há «um desígnio de amor e de verdade»? O mundo «não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (…) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade».[9] Nas suas páginas iniciais, o livro do Génesis introduz-nos no projecto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus, que, no vértice, colocou o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança do Criador, para «encher e dominar a terra» como «administradores» em nome do próprio Deus (cf. Gn 1, 28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a criação foi quebrada pelo pecado de Adão e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequência, ficou deturpada também a tarefa de «dominar» a terra, de a «cultivar e guardar» e gerou-se um conflito entre eles e o resto da criação (cf. Gn 3, 17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do Génesis, não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade. Aliás, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza está à nossa disposição, mas não como «um monte de lixo espalhado ao acaso»,[10] enquanto a Revelação bíblica nos fez compreender que a natureza é dom do Criador, o Qual lhe traçou os ordenamentos intrínsecos a fim de que o homem pudesse deduzir deles as devidas orientações para a «cultivar e guardar» (cf. Gn 2, 15).[11] Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas não à sua arbitrária disposição. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza, «mais tiranizada que governada por ele».[12] O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a.[13]
7. Infelizmente temos de constatar que um grande número de pessoas, em vários países e regiões da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo responsável. O Concílio Ecuménico Vaticano II lembrou que «Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos».[14] Por isso, a herança da criação pertence à humanidade inteira. Entretanto o ritmo actual de exploração põe seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais não só para a geração actual, mas sobretudo para as gerações futuras.[15] Ora não é difícil constatar como a degradação ambiental é muitas vezes o resultado da falta de projectos políticos clarividentes ou da persecução de míopes interesses económicos, que se transformam, infelizmente, numa séria ameaça para a criação. Para contrastar tal fenómeno, na certeza de que «cada decisão económica tem consequências de carácter moral»,[16] é necessário também que a actividade económica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lança mão dos recursos naturais, é preciso preocupar-se com a sua preservação prevendo também os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da actividade económica. Compete à comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima é preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras.
8. Na realidade, é urgente a obtenção de uma leal solidariedade entre as gerações. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns não podem ficar a cargo das gerações futuras. «Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever. Trata-se de uma responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras, uma responsabilidade que pertence também a cada um dos Estados e à comunidade internacional».[17] O uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada não dificulte o destino universal dos bens;[18] que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã. Para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados: «A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro».[19] A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo. Com efeito, é importante reconhecer, entre as causas da crise ecológica actual, a responsabilidade histórica dos países industrializados. Contudo os países menos desenvolvidos e, de modo particular, os países emergentes não estão exonerados da sua própria responsabilidade para com a criação, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse cálculos menos interesseiros na assistência, na transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras.
9. Um dos nós principais a enfrentar pela comunidade internacional é, sem dúvida, o dos recursos energéticos, delineando estratégias compartilhadas e sustentáveis para satisfazer as necessidades de energia da geração actual e das gerações futuras. Para isso, é preciso que as sociedades tecnologicamente avançadas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia e melhorando as condições da sua utilização. Ao mesmo tempo é preciso promover a pesquisa e a aplicação de energias de menor impacto ambiental e a «redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso aos mesmos».[20] Deste modo, a crise ecológica oferece uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade. Faço votos, portanto, de que se adopte um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã.[21]
10. A fim de guiar a humanidade para uma gestão globalmente sustentável do ambiente e dos recursos da terra, o homem é chamado a concentrar a sua inteligência no campo da pesquisa científica e tecnológica e na aplicação das descobertas que daí derivam. A «nova solidariedade», que João Paulo II propôs na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990,[22] e a «solidariedade global», a que eu mesmo fiz apelo na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009,[23] apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da criação através de um sistema de gestão dos recursos da terra melhor coordenado a nível internacional, sobretudo no momento em que se vê aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que «o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade».[24] Muitas são hoje as oportunidades científicas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente. Por exemplo, é preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma atenção se deve prestar à questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. São precisas políticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necessário empenho internacional que há-de trazer importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo. Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos. A questão ecológica não deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degradação ambiental esboça no horizonte; o motivo principal há-de ser a busca duma autêntica solidariedade de dimensão mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum. Por outro lado, como já tive ocasião de recordar, a técnica «nunca é simplesmente técnica; mas manifesta o homem e as suas aspirações ao desenvolvimento, exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais. Assim, a técnica insere-se no mandato de “cultivar e guardar a terra” (cf. Gn 2, 15) que Deus confiou ao homem, e há-de ser orientada para reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus».[25]
11. É cada vez mais claro que o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico. Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem novos estilos de vida, «nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento».[26] Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de opções clarividentes a nível pessoal, familiar, comunitário e político. Todos somos responsáveis pela protecção e cuidado da criação. Tal responsabilidade não conhece fronteiras. Segundo o princípio de subsidiariedade, é importante que cada um, no nível que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibilização e formação compete de modo particular aos vários sujeitos da sociedade civil e às organizações não-governamentais, empenhados com determinação e generosidade na difusão de uma responsabilidade ecológica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela «ecologia humana». Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração. É que ocu-par-se do ambiente requer uma visão larga e global do mundo; um esforço comum e responsável a fim de passar de uma lógica centrada sobre o interesse egoísta da nação para uma visão que sempre abrace as necessidades de todos os povos. Não podemos permanecer indiferentes àquilo que sucede ao nosso redor, porque a deterioração de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As relações entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as relações entre homem e ambiente são chamadas a assumir o estilo do respeito e da «caridade na verdade». Neste contexto alargado, é altamente desejável que encontrem eficaz correspondência os esforços da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presença ameaça a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura.
12. A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo. Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, «quando a “ecologia humana”é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental».[27] Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social.[28] Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educação para uma responsabilidade ecológica, que, como indiquei na encíclica Caritas in veritate, salvaguarde uma autêntica «ecologia humana» e consequentemente afirme, com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza.[29] É preciso preservar o património humano da sociedade. Este património de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação.
13. Por fim não se deve esquecer o facto, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto directo com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós. Por outro lado, uma visão correcta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da «dignidade» de todos os seres vivos. Assim se dá entrada a um novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem. Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da «gramática» que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar mas também não pode abdicar. Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana.[30]
14. Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus «todas as criaturas, na terra e nos céus» (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados «novos céus e uma nova terra» (2 Pd 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador omnipotente e Pai misericordioso, a sua oração fervorosa, para que no coração de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação.
Fonte Zenit
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